Posts tagged ‘teatro’

24/05/2012

RESTOS. INTERIORES

por cam

O Nuno Dempster teve a simpatia de escrever no seu blogue sobre o meu texto Restos. Interiores, que escrevi e encenei em 2002 (Palmela, FIAR). Gestos como este devem agradecer-se, se possível publicamente.

Obrigado, Nuno.

da esquerda para a direita: Joana Fartaria, Solange F e Cátia Ribeiro (Palmela, 2002).

27/01/2012

MAGMA EXPULSA E LEMBRADA

por cam

POR VAMBERTO FREITAS

“Cada texto foi inscrito com o seu valor próprio e com os decorrentes de cumplicidades, atracções e repulsas – tensões próprias de uma revista com identidade irrepetível.”

Carlos Alberto Machado, Coordenador da extinta revista Magma

«As palavras de Carlos Alberto Machado, um dos fundadores e coordenadores da (extinta) revista literária Magma, referem-se ao número zero de lançamento publicado pouco antes, e havia já chamado a si um diversificado grupo de escritores, uns mais conhecidos do que outros, residentes nos Açores e no Continente. Depressa esse rol de colaboradores aumentaria consideravelmente, Magma abriria as suas páginas à nossa diáspora, desde os Estados Unidos e Canadá ao Brasil, assim como a participantes de outros de países, alguns deles naturalmente em tradução. A edição inaugural incluía ainda uma separata de poesia, que se publicaria com outros dos seguintes sete números, cada uma coordenada por um escritor ou poeta convidado/a, tal como a revista no seu todo até ao seu abrupto desaparecimento em 2008. Estava assim lançada em 2005, a partir da Câmara Municipal das Lajes do Pico, sob a direcção também de Sara Santos, uma das melhores publicações de “criação literária” nos Açores, tendo como única companhia no arquipélago a NEO dirigida por John Starkey e com a chancela do Departamento de Línguas e Literaturas Modernas da Universidade dos Açores, mas mantendo uma autonomia editorial absoluta.

É certo que revistas ligadas aos nossos institutos culturais na Horta, em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada sempre serviram como outras “universidades” da nossa classe culta, privilegiando a investigação história, sociológica e literária, mas só nestes últimos anos publicações como a Magma e a NEO davam continuidade ao que muito anos antes iniciara A Memória da Água-Viva, sob a direcção de José Henrique Santos Barros e Urbano Bettencourt a partir de Lisboa nos anos 70. Todos estes projectos tiveram ou têm características editoriais muito próprias: o diálogo literário implícito inter-geracional, colocando escritores de nome feito ao lado dos mais novos, estes sempre em busca de meios para chegarem a um público leitor na sua sociedade e, quando possível, para além dos horizontes regionais e nacionais. Ainda hoje as little magazines, assim chamadas nos EUA pelo seu formato livresco em que a criatividade visual quase sempre faz parte da sua originalidade e distinção, constituem (sem que a net as ameace, por enquanto) as mais procuradas publicações pelos que buscam sistematicamente a inovação ou as novas tendências literárias em qualquer língua. A Orpheu em Lisboa (Fernando Pessoa) e depois a Presença (José Régio, Casais Monteiro e João Gaspar Simões) em Coimbra foram para a nossa literatura o que The Paris Review ainda hoje representa para os norte-americanos: estar presente em qualquer uma das suas edições é ficar consagrado ou, no mínimo, apresentado a leitores de maior exigência literária e cultural.

Magma cumpria por inteiro a missão literária inerente a estes projectos. Olhando a vasta lista de participantes na suas páginas, nota-se de imediato a presença da maior parte dos nomes açorianos associados à nossa nova geração de escritores em convivência de igualdade sem apologias com alguns dos autores mais conhecidos e prestigiados em Portugal, desde Alberto Pimenta, Ana Hatherly, Ana Martins Marques, Manuel de Freitas e Gonçalo M. Tavares a outros de língua portuguesa como Luiz António de Assis Brasil e Lélia da Silva Pereira Nunes (que coordenaram um dos números da revista, levando alguns escritores brasileiros a ficcionarem os “seus” Açores, alguns deles nunca tendo cá estado). Da diáspora, uma vez mais, para além dos emblemáticos Onésimo T. Almeida e Francisco Cota Fagundes, aí está Frank X. Gaspar cuja obra em parte comemora a sua ancestralidade picoense, tendo merecido uma separata por mim traduzida sob o título de um dos seus poemas, A Noite dos Mil Rebentos. Não serão, no entanto, os nomes, por mais famosos que sejam na literatura nacional (nacional aqui inclui os Açores e os açorianos, naturalmente) ou estrangeira, mas sim porque a Magma passou a constituir, na sua relativamente curta existência, outro grande repositório da nossa memória colectiva, o que mais interessa sempre na escrita em qualquer uma das suas formas criativas ou ensaísticas, já para não falar no estímulo ao trabalho entre os que, apesar do seu inegável talento intelectual, raramente encontram um meio de divulgação da sua obra incipiente ou já legitimada quer pela comunidade quer institucionalmente. Para uma região que sempre se demarcou a nível nacional pela sua criação ou produção literária, mas sofre do provincianismo reinante e da lonjura das sectárias máquinas editoriais e de favores sem fim da nossa capital, só iniciativas como esta garantem a dignidade cultural do nosso povo, asseguram para as gerações vindouras os arquivos artísticos da sua própria ancestralidade geográfica, histórica, intelectual. Quem acha que isto tem importância menor, como parece ser o caso entre nós neste momento, esquece-se que a desmemória colectiva é bem-vinda e essencial à já reinante ditadura pós-moderna, ao novo fascismo engravatado que se auto-denomina de Mercados e nos corrói a todos. Um povo sem a sua voz fica coisificado e apto a ser manobrado por todos que o querem na condição de escravo. Por outro lado, a descentralização da cultura é também já um facto notável em muitos países avançados, os centros estão a virar margens ou a evoluir para comunidades de interesses outrora totalmente dominantes a partir dos grandes espaços ou cidades. Cada sociedade terá agora de garantir os seus próprios meios para se afirmar e se auto-afirmar perante os outros que partilham ou não o nosso destino. No que se refere a publicações deste género e ao diálogo a um nível superior sem nunca deixar de incluir quem deseje participar, não poderemos colocar no fim das prioridades dominadas por supostas manifestações de “cultura” no que entre nós passaram a ser festas instantâneas, com muita perna pimba e vozes sem talento em palcos estupidamente improvisados á beira-mar – a um custo, para os nossos cada vez mais limitados recursos, avassalador e cuja destruição maior tem sido também a marginalização e amordaçamento dos tradicionais rituais festivos nas freguesias rurais de todas ilhas.

“A NEO — escreveu Urbano Bettencourt no número três (2006) da Magma, por ele coordenado — publica-se em Ponta Delgada e fica muito bem aí mesmo; A Magma publica-se nas Lajes do Pico, que não são a capital ou ex-capital de coisa alguma, não têm uma ilha em frente, embora sejam o lugar de onde é possível ver a Montanha nascer das águas, como Vénus. Quer dizer, a Magma também fica muito bem onde está, sem complexos de lugar, pois, como afirmava o escritor cabo-verdiano Manuel Lopes, a partir da Horta e em meados do século passado, o pior que pode acontecer a um lugar pequeno é ser, simultaneamente, tacanho”.

Magma, pois, pela sua inquestionável qualidade em cada número publicado e pela sua abrangência de temas, geografias dos nossos afectos e estilos, prestigiava como poucas outras publicações nossas a literatura dos e nos Açores. Que partia de uma pequena vila açoriana fora do triângulo do poder político regional só lhe trazia um estatuto que em Portugal será difícil de encontrar, habituados que estamos às falsas e moribundas grandezas dos “grandes” centros. Não deveríamos esquecer que a grande tradição intelectual e criativa das nossas ilhas – não sou o único a afirmá-lo — tem a sua primeira base na página impressa, quer se trate de livros, jornais ou revistas, precisamente os meios mais ignorados cá nos tempos que correm.

Magma ficará arquivada e citada por muitos outros como testemunha do trabalho intelectual sério e universalmente identitário. O resto e os autores do nada irão cair irremediavelmente no muito merecido esquecimento.»

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Magma (2005-2008), fundada e dirigida por Sara Santos e coordenada por Carlos Alberto Machado, Câmara Municipal das Lajes do Pico, Pico, Açores.

Texto publicado hoje, Sexta-Feira 27 de Janeiro, no Açoriano Oriental e também no blogue de Vamberto Freitas.

 

18/01/2012

HAMLET & OFELIA VOLTAM A ATACAR!

por cam

«Conheço há muitos anos o Hamlet e a Ofelia. Estes ou outros. Sempre diferentes na sua fuga pelo mundo. Morrendo e ressuscitando sempre. A primeira vez que os encontrei foi em África. Bissau. Mercado a céu aberto do Bandim. Ele esgaravatava dos bolsos uma decrépita nota de franco para um quarto de uma Sagres escaldante. Ela à beira da estrada mijava sangue. E os seus olhos pediam a compaixão de uma morte breve. Mais tarde, Lisboa. Pensão Paraíso (“Banhos Quentes e Frios”). Ofereceram-me os seus corpos esvaziados em troca do que eu quisesse. Encontrei-os ainda no Kosovo. Klina. Brigada portuguesa. A guerra tirara um braço a Hamlet. A Ofelia a cor da pele. Nada tinham que servisse de moeda de troca. A última vez foi em Nova Iorque. Foram eles que comandaram a destruição das Twin Towers. Foi essa a história que me quiseram vender e que eu não comprei. Preferi ser eu a inventar-lhes uma outra vida. A troco de nada.»

[ a minha peça está editada pela Escola Portuguesa de Moçambique (2008) e em Kindle/Amazon – e este é o seu texto de “apresentação”… ]

21/11/2011

O ESTRANHO CASO DE UM VALENTE ESTÚPIDO

por cam

O camarada Vasco, de pulido Valente, desancou sobre a malta do teatro – devia estar com falta de assunto e o camarada Viegas, com a ajuda dos camaradas Infante e Mota, vieram dar-lhe o mote. Foi isto na edição do jornal Público, da já antiga Sexta-Feira dia 18 de Novembro (só hoje, 21, é que o jornal chegou a esta bela ilha…).

O camarada valente devia informar os digníssimos leitores quanto lhe pagam no dito jornal para expelir grosserias, disparates e estupidezes; e se essa verba já inclui prestações antecipadas para pagar o internamento em hospital psiquiátrico a condizer – incluindo colete-de-forças, medicação e inimigos de estimação sobre quem escrever nos seus últimos anos de vida na instituição. Ah, e a morada do hospital, com horários de visita, está-se a ver bem para quê.

Vamos ao assunto, o do teatro. Vasco despenca sobre o Teatro Nacional & etc., nada que não soubéssemos de anteriores descargas de bílis. O que é novidade é agora o camarada ser especialista de literatura dramática e espectáculos de teatro, pois declara, com o ar de quem decreta para todo o sempre, que “Em 37 anos não apareceu uma única obra decente de dramaturgia portuguesa.” Como a bílis estava em risco de o ensandecer irremediavelmente, e se dá o caso de a Directora do jornal começar e ter poucas justificações perante a Administração para lhe pagar a semanada (e a primeira prestação do manicómio ainda não está paga), resolveram dar-lhe ainda mais corda, “quanto pior melhor”, pois lhe disseram então: “ó valentaço, prega-lhes aí com mais qualquer merdice para eles darem mais saltos!”, e é claro que o camarada salivou, desembestou e cagou a última valentia: “Chegou a altura de acabar com esta ridícula ilusão que em Portugal se chama «teatro»”.

Eu, caro camarada, comecei no teatro antes do 25 de Abril de 1974 (actor, etc.); nos últimos anos, tenho escrito daqueles textos que você acha que não são “dramaturgia decente”, pois não serão, nem quero advogar em causa própria. Mas sempre o informarei de alguns nomes de dramaturgas e dramaturgos que terão ficado ofendidos com os seus dislates (e pelo meio vão alguns que entretanto morreram, faço votos para que as almas deles o venham inquietar nas suas noites insones recheadas de monstros), sem cuidar de ordem de apresentação e dando de barato que me esquecerei de muita boa gente: Luísa Costa Gomes, Abel Neves, Armando Nascimento Rosa, Eduarda Dionísio, José Vieira Mendes, Hélia Correia, Jaime Rocha, Tiago Rodrigues, Pedro Eiras, André Murraças, Jorge Silva Melo, Jaime Salazar Sampaio, Jorge Louraço Figueira, Miguel Rovisco, Bernardo Santareno, Marcela Costa, Jacinto Lucas Pires, Carlos J. Pessoa, Fernando Mora Ramos, Patrícia Portela, Norberto Ávila, Álamo de Oliveira, Nuno Artur Silva, Regina Guimarães, Rui Guilherme Lopes, Isabel Medina, António Ferreira, António Torrado, Luís Assis, Luís Francisco Rebello, Vicente Sanches, Rui Sousa, Virgílio Martinho, José Saramago, Carlos Coutinho, Mário de Carvalho, José Peixoto, Helder Costa, Mário Cláudio, Francisco Luís Parreira, Cucha Carvalheiro, Fernando Augusto, José Jorge Letria, Pedro Bandeira Freire, Alexandre Andrade, Filme Homem Fonseca, João Quadros, Carla Bolito, Luís Filipe Borges, Mickael de Oliveira, Luís Mestre, Nelson Guerreiro, Paulo José Miranda, Rui Herbon, Miguel Castro Caldas, etc, etc.; e inúmeros actores e encenadores que produziram textos em contexto de improvisação, ou por processos de colagem/montagem, ou adaptando textos literários não teatrais, etc., etc.; ou os poetas e romancistas que circunstancialmente produziram textos para teatro, como, entre outros, Gonçalo M. Tavares, António Manuel Couto Viana, Agustina Bessa-Luís, Natália Correia, António Cabrita, Tolentino Mendonça, Augusto Abelaira, Fernando Guimarães, Armando Silva Carvalho, Possidónio Cachapa, Pedro Mexia, Lídia Jorge, Fiama Hasse Pais Brandão, José Luís Peixoto, Nuno Júdice, Pedro Rosa Mendes…

Caro valentaço, quando voltar a ter vontade de descarregar a bilis, faça um guisadinho e… bom proveito!

19/10/2011

HAMLET & OFELIA: ESTREIA 4 Nov.

por cam

HAMLET & OFELIA

de Carlos Alberto Machado | m/16
uma produção do Teatro Passagem de Nível

Texto Carlos Alberto Machado Criação e Interpretação Mónica Lourenço, Ricardo Mendes Apoio à Criação Rita Martins Concepção Cénica Mónica Lourenço, Ricardo Mendes Comunicação Rita Martins Design Luc@s Fotografia e Video Luc@s, Rita Martins Produção Luis Mendes, Ricardo Mendes Agradecimentos Ana Martins, André Tenente, Diogo Costa, Inês Sá, Isabel Torres

Estrutura apoiada por Câmara Municipal da Amadora, Junta de Freguesia de Alfornelos 

Apoios Proto – Intensive Art Care, FPTA – Federação Portuguesa de Teatro

Centro Comercial Colina do Sol Auditório de Alfornelos: Pça. José Afonso, 15E Alfornelos – Amadora

Localização: 5 min. Metro Alfornelos (Linha Azul)

Google Maps: http://g.co/maps/4dfxr

Informações e reservas 914 497 037 | 214 763 633 | teatropassagemdenivel@gmail.com

20/09/2011

HAMLET & OFELIA

por cam

Teaser do Hamlet & Ofelia [texto meu] pelo Teatro Passagem de Nível

04/09/2011

JEAN-CLAUDE CARRIÈRE

por cam

«Seria necessário apresentar Jean-Claude Carrière, nascido na França em 1931? Fora a sua colaboração, como roteirista, com alguns dos principais cineastas do século, fez, entre outros, Esse obscuro objeto do desejo, O charme discreto da burguesia e Bela  da tarde com Buñuel, com o qual trabalhou durante 19 anos; escreveu Viva Maria para Louis Malle; foi indicado para o Oscar de Melhor Roteiro ao adaptar A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, filmado por Philip Kaufman; e trabalhou com diretores como Milos Forman, Jean-Luc Godard, Carlos Saura, Andrzej Wajda, Jacques Tati e Hector Babenco, que o trouxe ao  Brasil quando das filmagens de Brincando nos campos do senhor. Ele fez a adaptação para o teatro, com enorme sucesso, do poema épico indiano, Mahabharata, dirigido por Peter Brook, com quem trabalha desde 1973. Roteirista, ator, romancista e ensaísta, Carrière também preside a Federação Europeia dos Ofícios da Imagem e do Som, a Fémis (nova denominação do IDHEC a partir de 1985). »

O resto – entrevista – está aqui, na revista Agulha (Brasil).

24/08/2011

HAMLET & OFELIA

por cam

O Grupo de Teatro Passagem de Nível vai encenar o meu Hamlet & Ofelia, soube há pouco.

Este texto foi encenado pela primeira vez pela Joana Fartaria, na Companhia de Teatro de Almada, com a Sílvia Barbeiro e o Pedro Carmo (2003).

Prevê-se a estreia em Novembro.

Pedro Carmo e Sílvia Barbeiro (2003)

Também lá para o fim do ano, na açoriana ilha Terceira, o Luís Carvalho vai encenar e interpretar (estreia mundial…) o meu Hoje Não Há Música (edição de 2010 nas caixas Acácia, direcção do António Cabrita e da Teresa Noronha, Maputo, Escola Portuguesa de Moçambique, onde também saiu, em 2008, o Hamlet & Ofelia – que também tem edição Kindle/Amazon).

02/08/2011

OS NOMES QUE FALTAM

por cam

Recebi ontem algumas fotografias da encenação do meu texto Os nomes que faltam, (Alfornelos, 17 de Junho de 2005), com produção do Grupo SindicActo, encenação de João de Carvalho (não parece, mas já foi há 6 anos…).

28/07/2011

A FELICIDADE IDEAL

por cam

Fotos do espectáculo A FELICIDADE IDEAL (da trilogia Transportes & Mudanças), texto meu, encenação e interpretação de  Vitor Gonçalves, estreado dia  14  de Julho, no Centro das Artes – Casa das Mudas, na cidade do Funchal, como Prova de Aptidão Profissional do Curso Profissional de Artes do Espectáculo-Interpretação, do CONSERVATÓRIO-Escola das Artes da Madeira.

07/07/2011

A FELICIDADE IDEAL

por cam

O Vitor Gonçalves vai apresentar uma encenação do meu texto A Felicidade Ideal, igualmente com interpretação sua, às 18 horas do dia 14 deste mês (e não às 19 hs. do dia 13, como está no cartaz) no Centro das Artes – Casa das Mudas, na cidade do Funchal. É uma Prova de Aptidão Profissional do Curso Profissional de Artes do Espectáculo-Interpretação, do CONSERVATÓRIO-Escola das Artes da Madeira.

Muita merda, caro Vítor!

21/06/2011

O RESTO HÁ-DE PASSAR

por cam

Conheci o Saramago quando em 1979 o Grupo de Campolide/Companhia de Teatro de Almada encenou a sua peça A Noite e, um ano depois, Que farei com este livro?. Ensaiávamos na velha Academia Almadense. Ensaios duros. Mais montagem e cenários. Falava pouco, embora notássemos nele alguma vontade de intervir no processo. Mas era discreto. Tinha sempre uma palavra para cada um de nós, actores, mostrava carinho por aqueles seres que partilhavam com ele a mesma natureza feita de palavras.

Quando há dois dias olhei para ele no filme do Miguel Gonçalves Mendes, foi esse Saramago que vi. Com emoção.

O resto há-de passar.

20/05/2011

ÍNDICAS, JORNADA 8

por cam

Em meados da década de 80 do século passado (ainda custa falar assim do século em que nasci, quando durante tantos anos falei do século passado como coisa longínqua, o XIX…), por via do FITEI – Festival de Teatro de Expressão Ibérica, e de alguns críticos teatrais portugueses (Carlos Porto e Manuel João Gomes, em especial), o teatro de Moçambique começou a ficar na moda em Portugal. O Mutumbela Gogo, de Manuela Soeiro e Henning  Mankhel, e onde se formaram e tornaram populares actores e actrizes como Lucrécia Paco, Josefina Massango, Adelino Branquinho, Rogério Manjate, Alberto Magassela, e Mário Mabjaia, entre outros, ou o Gungu, do “dissidente” Gilberto Mendes. O grupo da Associação Cultural Casa Velha, dirigido por Machado da Graça (ainda existente) e o Tchova Xita Duma, já desaparecido, dinamizado pelos irmãos Pinto de Sá (Maria e José), não tiveram a mesma fortuna em terras do “pai” colonizador. Para o bem e para o mal, digo eu, que andei metido nessas “guerras”… Hoje, o Mutumbela continua a sua carreira internacional, tal como o “filho”, já bem crescido, Gungu. Entretanto, bem depois desse boom, procuram-se outros rumos e surgem outros elementos de renovação e profissionalização, em moldes diferentes, do teatro moçambicano, ou, para ser mais preciso, do teatro feito em Maputo. Há meia dúzia de anos, no âmbito da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane, foi criada uma licenciatura em teatro, coordenada pelo Rogério Manjate. Logo que chegamos a Maputo perguntei ao António Cabrita que espectáculos de teatro poderíamos ver durante a nossa estadia, que iria acontecer num período mau, de férias, e ele logo ao terceiro dia fez-nos o desafio: ir a casa do Manjate nessa noite, onde ele ia apresentar uma versão pessoal de Na Solidão nos Campos de Algodão, do francês Bernard-Marie-Koltès – “Um teatro na intimidade”, anuncia-se. Já não me recordava do Rogério, conheci-o mal quando aqui estive em 1995, era ele muito jovem, quase um garoto. Mais tarde, em 2006, de certo modo cruzámos caminhos, quando o Cabrita coordenou o número 2 da revista Magma, que então eu dirigia, e na qual publicámos alguns poemas seus. Uma dezena de pessoas, chegam a pouco e pouco, são recebidas por uma jovem simpática. A produção do espectáculo é do grupo Galagalazul – o galagala é um multicolorido lagarto moçambicano – formado, creio, há meia dúzia de anos. Comprámos uma bebida e ficamos a aguardar numa divisão do apartamento que era o quarto pessoal do Rogério. O António apresentou-nos alguns amigos e ficámos ali uns minutos em alegre cavaqueira. Depois, fomos conduzidos à “sala”, uma divisão nua, com uma dezena de assentos. O Rogério-actor já estava em cena. Em “pausa”. Durante perto de uma hora, o Rogério, em monólogo absoluto, transfigurou o universo koltesiano da Solidão num dealer, personagem que de certo modo se tornou maputense, enredado na teia densa da sobrevivência e da difícil comunicação, numa sociedade que procura a sua identidade pós-revolucionária. Não me interessou, nem agora, fazer a crítica do que vi – embora deva dizer que o Rogério Manjate é um actor de muitos recursos e que fiquei com a impressão – talvez por “vício profissional”, – de que o texto original, na perspectiva que ele adoptou, teria de ter uma leitura dramatúrgica com outros pontos de complexidade. Registei o tom cosmopolita do evento, embora off-off, poderia ter lugar em qualquer grande cidade da Europa ou dos EUA. Sinal de mudança para melhor, pareceu-me então. Mais tarde, outras coisas vistas fizeram com que duvidasse bastante da força deste sinal. Enfim, não sou um bom conhecedor da realidade maputense, mas tenho alguma informação, e há sinais, outros, que não devem ser ignorados por quem está aqui no teatro, portugueses incluídos, há certas coisas negativas que são iguais em todo o mundo. E as que observei não são garantidamente apenas moçambicanas. Longos caminhos, ainda.

Folha de sala de O Dealer /Na solidão dos campos de algodão

GLOSSÁRIO

04/05/2011

ENGANEI-ME

por cam

Enganei-me: afinal,o jornal Público continua a aconselhar ver “peças de teatro”, em vez de “espectáculos de teatro”… E também reparei que a SIC faz o mesmo… Valha-nos… quem? O FMI?

01/05/2011

LUÍS CARVALHO

por cam

ROMEU E JULIETA

Sábado, 14 de Maio às 21:30 – 15/5 às 0:30 | Teatro Angrense

 

Criado por Luís Carvalho

 

L.C., Sem Companhia – Grupo de Teatro Experimental
Encenação, Adaptação e Interpretação de Luís Carvalho
Desenho de Luz: Luís Gil Bettencourt
Selecção Musical: Marta Costa
Figurino: Atelier Criativo
Cartaz: Filipe Rocha

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