O ESTRANHO CASO DE UM VALENTE ESTÚPIDO

por cam

O camarada Vasco, de pulido Valente, desancou sobre a malta do teatro – devia estar com falta de assunto e o camarada Viegas, com a ajuda dos camaradas Infante e Mota, vieram dar-lhe o mote. Foi isto na edição do jornal Público, da já antiga Sexta-Feira dia 18 de Novembro (só hoje, 21, é que o jornal chegou a esta bela ilha…).

O camarada valente devia informar os digníssimos leitores quanto lhe pagam no dito jornal para expelir grosserias, disparates e estupidezes; e se essa verba já inclui prestações antecipadas para pagar o internamento em hospital psiquiátrico a condizer – incluindo colete-de-forças, medicação e inimigos de estimação sobre quem escrever nos seus últimos anos de vida na instituição. Ah, e a morada do hospital, com horários de visita, está-se a ver bem para quê.

Vamos ao assunto, o do teatro. Vasco despenca sobre o Teatro Nacional & etc., nada que não soubéssemos de anteriores descargas de bílis. O que é novidade é agora o camarada ser especialista de literatura dramática e espectáculos de teatro, pois declara, com o ar de quem decreta para todo o sempre, que “Em 37 anos não apareceu uma única obra decente de dramaturgia portuguesa.” Como a bílis estava em risco de o ensandecer irremediavelmente, e se dá o caso de a Directora do jornal começar e ter poucas justificações perante a Administração para lhe pagar a semanada (e a primeira prestação do manicómio ainda não está paga), resolveram dar-lhe ainda mais corda, “quanto pior melhor”, pois lhe disseram então: “ó valentaço, prega-lhes aí com mais qualquer merdice para eles darem mais saltos!”, e é claro que o camarada salivou, desembestou e cagou a última valentia: “Chegou a altura de acabar com esta ridícula ilusão que em Portugal se chama «teatro»”.

Eu, caro camarada, comecei no teatro antes do 25 de Abril de 1974 (actor, etc.); nos últimos anos, tenho escrito daqueles textos que você acha que não são “dramaturgia decente”, pois não serão, nem quero advogar em causa própria. Mas sempre o informarei de alguns nomes de dramaturgas e dramaturgos que terão ficado ofendidos com os seus dislates (e pelo meio vão alguns que entretanto morreram, faço votos para que as almas deles o venham inquietar nas suas noites insones recheadas de monstros), sem cuidar de ordem de apresentação e dando de barato que me esquecerei de muita boa gente: Luísa Costa Gomes, Abel Neves, Armando Nascimento Rosa, Eduarda Dionísio, José Vieira Mendes, Hélia Correia, Jaime Rocha, Tiago Rodrigues, Pedro Eiras, André Murraças, Jorge Silva Melo, Jaime Salazar Sampaio, Jorge Louraço Figueira, Miguel Rovisco, Bernardo Santareno, Marcela Costa, Jacinto Lucas Pires, Carlos J. Pessoa, Fernando Mora Ramos, Patrícia Portela, Norberto Ávila, Álamo de Oliveira, Nuno Artur Silva, Regina Guimarães, Rui Guilherme Lopes, Isabel Medina, António Ferreira, António Torrado, Luís Assis, Luís Francisco Rebello, Vicente Sanches, Rui Sousa, Virgílio Martinho, José Saramago, Carlos Coutinho, Mário de Carvalho, José Peixoto, Helder Costa, Mário Cláudio, Francisco Luís Parreira, Cucha Carvalheiro, Fernando Augusto, José Jorge Letria, Pedro Bandeira Freire, Alexandre Andrade, Filme Homem Fonseca, João Quadros, Carla Bolito, Luís Filipe Borges, Mickael de Oliveira, Luís Mestre, Nelson Guerreiro, Paulo José Miranda, Rui Herbon, Miguel Castro Caldas, etc, etc.; e inúmeros actores e encenadores que produziram textos em contexto de improvisação, ou por processos de colagem/montagem, ou adaptando textos literários não teatrais, etc., etc.; ou os poetas e romancistas que circunstancialmente produziram textos para teatro, como, entre outros, Gonçalo M. Tavares, António Manuel Couto Viana, Agustina Bessa-Luís, Natália Correia, António Cabrita, Tolentino Mendonça, Augusto Abelaira, Fernando Guimarães, Armando Silva Carvalho, Possidónio Cachapa, Pedro Mexia, Lídia Jorge, Fiama Hasse Pais Brandão, José Luís Peixoto, Nuno Júdice, Pedro Rosa Mendes…

Caro valentaço, quando voltar a ter vontade de descarregar a bilis, faça um guisadinho e… bom proveito!

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4 comentários to “O ESTRANHO CASO DE UM VALENTE ESTÚPIDO”

  1. Supostamente ,o dito senhor, só podia estra a vestir a pele de um actor e precisamente a fazer Teatro….já pensaram????É que há bons actores,e isso demora tempo de aprendizagem e talento…..outros tentam e saiu o que saiu.Normalmente,a tendência portuguesa é para deitar abaixo os que estão acima .Força….O vosso público é que vos diz o que são.Quem não tem opinião própria é que segue a dos outros…..

  2. abraço CAM, é assim mesmo. Não vale a pena dar muita importância ao dito já que como dizes, ele não é grande especialista para podermos dar algum crédito à sua sentença, mas como esse é um pensamento que anda por aí, é preciso desde logo sinalizá-lo e dar-lhe resposta. Eu confesso que ainda ando à procura do texto, por acaso não consegues digitalizar e mandar por email? 🙂

  3. Recebii de Elvio Camacho, do TEF (Funchal): “Só para mandar um Valente (válida valência) abraço, daqui da Ilha da Madeira, do Élvio Camacho e do TEF (companhia que tem levado à cena, muitos dos dramaturgos e dramaturgas que a impotência de Pulido não vê!) Abraços uma vez mais.”

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