Posts tagged ‘PS’

26/04/2011

PILHA-GRAVADORES

por cam

O Partido Socialista tem como cabeça de lista pelos Açores às próximas Eleições Legislativas Ricardo Rodrigues, que foi visto por milhões de portugueses a roubar ferramentas de trabalho de jornalistas da revista Sábado: dois gravadores que estavam a usar em entrevista com o dito senhor deputado do PS. «Ricardo Rodrigues está acusado pelo Ministério Público pela prática de crime de atentado à liberdade de imprensa. O ainda deputado aguardará o desfecho do processo em liberdade, mediante termo de identidade e residência. Ou seja, Ricardo Rodrigues não poderá abandonar o País sem avisar previamente as autoridades. O vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista, Ricardo Rodrigues, foi acusado, pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP), do crime de atentado à liberdade de imprensa. O deputado aguardará o desfecho do processo em liberdade, mediante termo de identidade e residência. Ou seja, Ricardo Rodrigues não poderá abandonar o País sem avisar previamente as autoridades. Na acusação, a procuradora adjunta do DIAP, Margarida Fernandes, sublinha que o deputado actuou “em consciência e voluntariamente”, sabendo que a sua conduta era punida por lei. “O arguido agiu com o intuito de obstar a que as declarações por si prestadas no decurso da entrevista fossem utilizadas e publicadas na revista Sábado”, pode ler-se no documento, onde se acrescenta que, “com o seu comportamento, Ricardo Rodrigues atentou contra a liberdade de informação, jornalística e de imprensa, o que quis e conseguiu.”» (informação retirada em 25.4.2011 do site da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, fazendo referências a notícia de 20.4.2001, da revista Sábado).

Ricardo Pilha Gravadores Rodrigues
23/04/2011

«PILHA-GALINHAS»

por cam

 

Ricardo Rodrigues

«O caso Fernando Nobre fez tremer o país pensante. O caso Ricardo Rodrigues não inquietou uma alma. Entendo. Uma coisa é um convite inábil a uma personalidade inábil.

Outra, bem mais tolerável, é ter como cabeça-de-lista pelos Açores às próximas eleições legislativas um cavalheiro que furta gravadores a jornalistas com inegável talento manual; e que o Ministério Público vem agora acusar de crime de atentado à liberdade de imprensa e crime de atentado à liberdade de informação. Estas duas medalhas, reforçadas pelas imagens do acto, seriam um bilhete de regresso, em qualquer democracia respeitável, para que o sr. Rodrigues continuasse a sua carreira nas doces pastagens de onde veio. Entre nós, são o bilhete de volta à dignidade parlamentar.

Tivesse Fernando Nobre seguido esta escola e jamais teria dito por aí que vira em tempos uma criança a correr atrás de uma galinha para lhe roubar o pão que trazia no bico. A história seria outra: ele próprio roubara o pão, e a criança, e até a galinha. Tenho a certeza de que seria levado em ombros até S. Bento.»

João Pereira Coutinho, aqui, hoje, 23 de Abril de 2011

18/04/2011

…OU BAIXAMOS AS CALÇAS?

por cam

Esclareço, para não inquinar a leitura do que se segue: não tenho filiação partidária nem convicção ideológica integrável no actual quadro português; considero a democracia representativa que vigora em grande parte do mundo o menor mal possível para a felicidade humana. Feitos os esclarecimentos, apresento alguns factos sobre a existência e funcionamento da democracia portuguesa. Como primeiro facto, começo por recordar as declarações feitas em meados de Novembro de 2008 pela dra. Manuela Ferreira Leite, então líder do PSD: “Não sei se, a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois, então, venha a democracia”, referindo-se à necessidade de se fazer todas as reformas, segundo a sua opinião, necessárias e urgentes para o país; segundo facto: José Sócrates, questionado sobre o facto de não ter apresentado as medidas do PEC4 aos órgãos de soberania Assembleia e Presidência da República antes de as apresentar à Comissão Europeia, em 11 de Março último; terceiro facto: o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, partidos com assento parlamentar, não são considerados pelo Partido Socialista, pelo Partido Social Democrata e pelo Centro Democrático Social/Partido Popular, e pela generalidade dos órgãos e comentadores políticos da comunicação social, como são afastados à partida da participação em governos nacionais e igualmente em negociações sobre os destinos do país ao nível da UE e das instituições financeiras internacionais; quarto facto: como se está a negociar um pacote de ajuda Comunitária, a aprovar antes da realização das próximas eleições legislativas, esse pacote deve ter um acordo prévio dos partidos do “arco governativo” (PS, PSD e CDS/PP), condicionando assim a democracia de tal modo que os eleitores serão chamados a plebiscitar um prévio programa financeiro-económico-social, e escolher apenas o executor formal desse programa prévio – questão que os órgãos e comentadores políticos da comunicação social, pelo menos, assim consideram, tal como consideram isso um facto assente e indiscutível.

Resumindo: uma líder de um partido social-democrata considera poder-se suspender a democracia em vista de altos interesses nacionais; um primeiro-ministro, líder de um partido socialista, suspende efectivamente a democracia – a democracia é, antes de mais uma coisa formal, como bem viu e escreveu o Vasco Pulido Valente (jornal Público, 18.3.2011), todos os ditadores, diz ele, consideram que a “substância” é que vale, e não a sua apresentação e aprovação formal, em nome de “superiores interesses”; dois partidos, PCP e BE, com mais de um milhão de votantes (dados de 2009), são excluídos das decisões democráticas; três entidades supranacionais (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) condicionam de tal modo o funcionamento da democracia que na prática significa a suspensão da democracia (senão a sua anulação…).

A democracia segue dentro de momentos? Ou, desculpem a expressão, o nosso “baixar de calças” veio para ficar?

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Há dois ou três dias, descobri por acaso que na blogoesfera existia um blogue chamado azul cobalto como este.

Como não faz sentido a duplicação, e o meu blogue é mais recente, resolvi mudar de nome – quem sabe se esta mudança arrastará outras, o Baudrillard é que sabia destas coisas…

Chamar-se-á TRANSE_atlântico e o cabeçalho terá este aspecto (desenhado pelo Mauro):

16/04/2011

«INSANAS CONFISSÕES»

por cam

 

Henrique Monteiro (Expresso)

 

Henrique Monteiro (jornal Expresso, 0:00 Sábado, 16 de Abril de 2011):

«Acho que foi no fim-de-semana, ao ver o Congresso do PS, que enlouqueci. A vida tornou-se-me mais fácil com esta singela constatação. Afinal, o que se passa no país é simples de compreender… Fomos sempre bem governados. Estávamos num caminho fantástico (TGV, novo aeroporto, auto-estradas à borla, etc.) até que houve uma crise nos EUA. A partir daí a coisa tremeu um pouco, mas como a nossa economia era sólida resistiu melhor do que as outras. O problema foi que começou o ataque ao euro e o mau feitio das agências de rating, mas nós estávamos firmes. A Grécia, esses aldrabões de contas, e a Irlanda, país de neo-liberais, é que não se aguentaram. Mas nós, oh, nós estávamos como uma rocha. Fizemos dois ou três PEC e pronto, a coisa resolveu-se a contento. Só que houve qualquer coisa nas contas europeias e os nossos défices aumentaram todos – o de 2010 em três mil milhões. No entanto, em 2011 estávamos numa trajectória magnífica! Até que, perante ataques terríveis, tivemos de apresentar um PEC a Bruxelas que tinha uns pequenos contratempos, cortes nas pensões miseráveis e assim.  Nada que fosse para este ano, claro! A oposição – oportunistas! – chumbou o PEC no Parlamento e pimba! – ficámos sem dinheiro de um mês para o outro. Nem para salários da tropa há graveto.

Mas há um homem que nos vai salvar. Lá no Congresso do PS disse tudo por tudo. Vai apresentar como programa de Governo o PEC 4 e os socialistas bateram palmas. Gente que eu respeito há 20 ou 30 anos – Ferro Rodrigues, António Vitorino, António Costa – dizem que sim, aplaudem, colaboram e apoiam esta solução milagrosa que nos voltará a colocar bom caminho em que estávamos.

Ainda pus a hipótese de todos eles estarem doidos, mas é mais simples o doido ser eu.

E, já agora que sou doido, uma palavra para saudar a adesão do PSD às mentirolas, e outra para Cavaco: Senhor Presidente, que grande trabalho Vexa. tem feito! Que magistratura!

Se este estado de insanidade não passar, vou pedir esmola para a rua e aproveitar para discutir com todos os que ma quiserem dar. Como é próprio dos loucos, cantarei uma canção. É do José Mário Branco, mas não é o FMI. Esta é assim: “Entre a rua e o país  /  vai o passo de um anão  /  Vai o rei que ninguém quis  /  vai o tiro de um canhão  /  e o trono é do charlatão”,»

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