Registo Civil [poesia]

Registo civil. Poesia reunida 2000-2006

 

A língua aflora os grandes lábios à procura

 do hímen sorvo o líquido de sal e pó de lava acre

 e trinco-os com alguma sofreguidão confesso

 até sentir o adocicado da levíssima pasta amarela

 são as ovas delas dizes-me tu a sorrir a brincar

 e a cantilena da tua voz ecoa na sala fechada

 onde sorvemos o princípio da noite.

 ***

Não sou ilhéu desta ilha segunda

nem tempestade aqui me reteve

não é o mar que me torna ilhéu

nem mesmo sei se essa natureza é

ou será alguma vez minha segunda pele

talvez fosse preciso rasgar a carne

(aqui ou em qualquer outra parte)

descer mais fundo sem rumo

ser ou não daqui não é destino

somos todos apátridas se um corpo

não se une ao nosso e funda um lugar

o meu sortilégio é apenas este

ser corpo noutro corpo aqui

eu ser ilha nele e ele em mim.

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