Ventilador [poesia]

Ventilador

 

No comboio para Sintra

dois magalas salivam

a olhar as tuas pernas

esguias entreabertas

o da esquerda mastiga

uma palavra encardida

e tu despertas dizes o

meu nome e fechas-te

tentas cobrir as pernas

com o casaco e a mala

há pouco disseste-me

as palavras interditas

a nossa viagem estava

inglória a chegar ao fim

seca-se o que há a dizer

sofremos enfim todos

no comboio para Sintra

só os magalas salivam.

***

 

Coisas soltas como o dia

chegas daqui a pouco olá

descarregas o corpo à toa

perguntas não tens frio

a tv dispara gritos e tiros

folhetins notícias perigosas

acendo mais um cigarro

pões-me o duche a correr sim

e a toalha que a tua mão me deu

a felpuda com desenhos do mar

o cão do 3º ataca inúteis coelhos

talvez morra lá mais para o Verão

telefonaram de um jornal querem

não te oiço não deixes o gaz merda

já está podes recomeçar tudo sim

pouco a pouco a sombra.

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