Posts tagged ‘Arte’

01/06/2012

CADERNO DE ARTISTA(S)

por cam

Tenho entre mãos um livro que se assemelha a um pequeno caderno de artista – a ausência de um título na capa – onde apenas se esboçam dois corpos verticalmente unidos –, o papel, os versos em estrofes curtas aninhadas a um canto e de vez em quando as quase mulheres desnudas, sexos, seios, mas sempre em sombra, em imprecisão (“andar por aí / dentro da tua sombra / enxuto.” – E.J. Botelho), um certo pudor mas que não deixa de ser sensual – ou por isso mesmo – tudo num papel creme, suave, espraiante. E como são bonitas as guardas em cartolina amarela, garrida! Capas duras, a resguardar “Dois poetas e um pintor”, eles António Teves (Ponta Delgada, 1954-) e Emanuel Jorge Botelho (Ponta Delgada, 1950-), e no singular o pintor Urbano (ilha de São Miguel, 1959-). Honra dada à Artes e Letras /Solmar (Ponta Delgada), sabiamente dirigida pelo José Carlos Faria (edição de 2010, que teve uma tiragem especial de 50 exemplares, com caixa, numerados e assinados pelos autores e acompanhados de uma gravura – a inveja que eu tenho de apenas ter o livro e a caixa…).

A obra de Urbano parece ter uma relação íntima com a escrita (já aqui abordei um exemplo, o do seu trabalho, mais uma vez, com o poeta Emanuel Jorge Botelho tendo Antero como leit motiv). Conheço mal o seu trabalho, mas aqui o que aqui ressoa é uma sensibilidade muito delicada, que eu identifico com uma espécie de sageza do incerto – estas mulheres são de agora mas também de um tempo outro, inscritas por mãos hábeis em grutas escuras e baixas, com a paciência da devoção. Mas sem aquela coisa horrorosa da idealização da mulher, do tipo “a mulher eterna”, etc., que faz as delícias dos “sopeiros” (e das “sopeiras”).

Os outros “artistas” domam a palavra, adoçam-na, burilam-na, sopesam-na antes de a inscrever na superfície macia, mas traiçoeira, da folha. Há, de maneira mais evidente em Botelho, não apenas a adoração de uma (dada) mulher, o seu louvor, mas também um certo sentimento de perda, ou de solidão forçada, “na memória, / a serenidade dos teus dedos, / o tempo, lento, das heras”, “vinhas ao longe e eu já sabia dos teus passos; // todos os dias eu roubava o silêncio à solidão, / matava a morte”. “sempre foi de silêncio / cada manhã dos teus olhos // e eu deixei-me ficar”. Gosto da secura deste poeta, do que tenta, tenso, que intui certa impossibilidade, “riscar a pele e ver o teu nome / seguro sobre a linha”.

O amor, claro, “o amor não rima, porque não cabe, / no eco”. “pouco se diz para meu amor dizer. // a fala precisa magoar / os espelhos”.

Com ecos mais evidentes de outros poetas, António Teves, que é músico/professor, procura igualmente a precisão dos versos, nada a mais, nada a menos. Todavia, se as suas mãos estão “geometricamente sós”, elas têm a magoá-las “as arestas penetrantes do silêncio”; ou cisnes que regressam ao “delta branco / do dia”.

Um livro é também um objecto. Lamento não poder colocar aqui, partilhável, este precioso livro de artistas.

18/05/2012

ANTERO REVISITADO

por cam

Antero é uma figura que continua a ter alguma presença entre nós – não a que mereceria, convenhamos, mas, mesmo assim, certos sinais continuam a chamar a nossa atenção para o homem genial e atormentado que ele foi. Li, com um imenso agrado, o livro que Armando Silva Carvalho escreveu em torno da sua figura (“Anthero Areia & Água”, Assírio & Alvim, 2010), poemas escritos em simultâneo com a leitura das cartas do poeta açoriano, publicadas por Ana Maria Almeida Martins na IN-CM). Agora, uma singular edição que junta poemas de Emanuel Jorge Botelho (Ponta Delgada, 1950–) e reproduções de arte de Urbano (Ilha de S. Miguel, 1959–), numa pequena edição da Publiçor, Ponta Delgada, saída em 2010: “Antero de Quental, a vida e uma manhã” (com versões em inglês dos poemas – “A life and a morning”).

Trata-se de uma homenagem, e, tal como em certa medida em Armando Silva Carvalho, o que agora parece despertar em particular o interesse do poeta e do pintor seja o peculiar suicídio de Antero – na epígrafe, o excerto de um poema de Couto Viana: “À porta do Convento da Esperança, / Rezo ao banco de Antero. / A sua alma, em paz, ali descansa, / depois do tiro do desespero.” Botelho, nos seus cinco breves poemas, adere à razão de Antero no seu desacerto com a vida, nocturna, como um peso de alma, “duas lâminas embutidas / no pulso, calado, da morte.” De um mesmo lance, o seu contrário: “vou-me embora, disseste, olhando a manhã nos olhos / cansado do embuste da noite. Os opostos “noite” e “dia” funcionam aqui como motor da retórica poética de Emanuel Jorge Botelho. Antero, para ele, foi um ser incomunicativo, à espera de uma libertação, um ser que falava “para dentro do silêncio, / esse lugar enxuto de palavras / onde deus Guarda papel branco” – forte imagem que vai para além da relação de um poeta que fala de outro poeta, mas da criação poética tout court. Todas as suas palavras neste livro poderão, aliás, ser lidas nesta perspectiva – e não me parece abusivo lê-las assim, um sentido preito ao poeta e à poesia.

A participação do pintor Urbano é a reprodução do seu “Caderno de Antero”, de 1991 (técnica mista sobre papel) e “Antero” (óleo e colagem sobre tela), de 1992, ”não existindo, portanto, coincidência temporal entre a arte de Urbano e a escrita dos poemas por Botelho (em 2009). No “Caderno”, o rosto de Antero é o motivo central. Surge ora contrastado quase a negro-branco, ora matizado, ora apenas esboçado – como se desaparecesse diante dos nossos olhos inquiridores ou tão pouco chegasse a existir, uma espécie de limbo, in betwween. Num dos “retratos” oferece-se um rosto ensanguentado, melhor dizendo, um rosto sem rosto em que o sangue é a sua única identidade. O corpo (adormecido, morto?) não parece pacificado – ou uma possibilidade de Antero continuar entre nós, sobreviventes. Com o mesmo sinal parece o pormenor do banco (do suicídio) – antes ou depois da morte, com uma nuvem que derrama uma água que (já lavou) o sangue derramado (pelo inacreditável tiro duas vezes repetido).

Precioso livro para nos acompanhar na leitura de Antero e na reflexão sobre a (sua) vida.

09/04/2012

ARTE, MEMÓRIA E PATRIMÓNIO

por cam

WORKSHOP  |  18 de Abril, 10:00 – 18:00

ARTE, MEMÓRIA E PATRIMÓNIO | caminhos da criação contemporânea

Museu de Artes Decorativas Portuguesas  | Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

 

IDALINA CONDE e CONCEIÇÃO AMARAL

APRESENTAÇÃO

Este workshop, realizado no Museu de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, aborda relações da arte contemporânea com a memória, diversas memórias, e o património em sítios históricos ou museus. São, assim, presenças plurais do passado que a arte pode convocar para o presente de diferentes maneiras, seja para a restituição desse passado, seja para um olhar mais reflexivo, interrogativo ou crítico sobre as suas narrativas e opacidades. Seja, ainda, como um contexto para a arte contemporânea circular por exposições que aparecem em lugares patrimoniais com obras nem sempre originadas para eles, ou a partir deles. Considerando esses caminhos, o workshop apresenta um amplo conjunto de imagens sobre usos de espaços, referências e imaginários, tal como vestígios, arquivos, testemunhos e ficções que cruzam tempos: o passado (no) presente pela criatividade plural da arte e para diversos encontros com os públicos.

No workshop será também apresentado o projecto “Um Outro Olhar”, concebido e desenvolvido pelo Museu de Artes Decorativas Portuguesas, que privilegia a criação artística contemporânea enquadrando e reinventando uma nova abordagem às técnicas e materiais tradicionais relacionados com os ofícios que a Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva assegura e transmite diariamente. A colaboração entre artistas e criadores contemporâneos e os mestres artesãos resulta em diálogos culturais interessantes e que geram equilíbrios artísticos deveras surpreendentes. As novas interpretações quer do espaço museológico quer da missão patrimonial imaterial desta Fundação, que assim se experimentam, originam a reinvenção de técnicas e materiais e contribuem para a promoção e salvaguarda de modelos antigos na arte de saber-fazer, onde o rigor e o requinte da execução técnica se complementam com novos gostos e novas abordagens da criação artística.

1. O passado em re/criações e palcos do presente

2. A memória na arte: auto/biográfica, social, histórica, política e outras

3. O património como “texto” ou contexto para as práticas artísticas

4. O Museu de Artes Decorativas Portuguesas – Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

5. A criatividade no plural: de crítica a restitutiva; documental e ficcional

Vários públicos: profissionais, professores, estudantes e público em geral interessado por esta temática

Programa

1. O passado em re/criações e palcos do presente

2. A memória na arte: auto/biográfica, social, histórica, política e outras

3. O património como “texto” ou contexto para as práticas artísticas

4. O Museu de Artes Decorativas Portuguesas – Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

5. A criatividade no plural: de crítica a restitutiva; documental e ficcional

Destinatários

Vários públicos: profissionais, professores, estudantes e público em geral interessado por esta temática.

27/12/2011

4 A FÁBRICA

por cam

«4 A Fábrica – é um novo espaço, em Lisboa, onde se cruzam a promoção e comercialização de ilustração e desenho, livros de artista, e de um modo geral obras de arte e edições de autor originais ou com tiragem limitadas. E convive, no mesmo espaço, com o atelier de pintura de Teresa Dias Coelho. Ponto de encontro de exposições, livraria dedicada à ilustração, lançamento de livros e workshops. Ao fim do dia misturam-se dois dedos de conversa, tertúlias ao sabor do vento, o aroma do café acabado de fazer, convivências e outras artes e aventuras. 4A Fábrica localiza-se no 4A da Rua João Anastácio Rosa, junto ao Jardim da Estrela, com a estátua de Pedro Álvares Cabral à vista.»

Inaugurou dia 13 deste mês com a «exposição de Ilustração que reúne as 40 ilustrações, de 40 ilustradores portugueses, que ilustram as 40 letras que Sérgio Godinho escolheu no seu percurso de 40 anos de canções. 40 Ilustrações mais 1 – a que Luís Afonso criou para dar nome à Abysmo, a editora dirigida por João Paulo Cotrim, responsável pela edição do livro «Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações» Com esta exposição inaugura um novo espaço, em Lisboa, vocacionado para promoção e comercialização de ilustração e desenho, livros de artista, e de um modo geral obras de arte e edições de autor originais ou com tiragem limitadas. Com espaço de exposições, livraria dedicada à ilustração e lançamento de livros, dispondo de um acervo de trabalhos de vários artistas, 4A Fábrica é também um espaço onde ao fim do dia se misturam dois dedos de conversa, tertúlias ao sabor do vento, convivências e outras artes e aventuras.»

06/11/2011

AGULHA

por cam

AGULHA HISPÂNICA FINIS TERRAE

«Em janeiro de 2010 publicamos o número inicial da revista Agulha Hispânica. Completamos agora, em novembro de 2012, seu ciclo previsto de 12 edições e um total de 132 matérias, todas elas dedicadas às artes e à cultura de língua espanhola. As cartas de navegação indicam que construíamos aqui uma ponte em duplo sentido. De um lado, a conclusão de uma primeira fase (1999-2009) da Agulha Revista de Cultura; de outro, a sempre necessária recordação de que o Brasil não é um continente em si, mas sim parte de uma terra mais vasta, em sua grande maioria determinada por uma cultura de língua espanhola. Graças a este segundo aspecto, tratamos de definir melhor os nossos projetos editoriais, criando ao lado da já existente Banda Hispânica um equivalente a que intitulamos Banda Lusófona.

A partir de janeiro de 2012 cuidaremos de uma segunda fase da Agulha Revista de Cultura, de acordo com o que já antecipamos em sua edição # 0 (setembro de 2011). O conjunto de matérias publicadas pela Agulha Hispânica poderá ser visitado pelo leitor interessado a qualquer momento em nosso portal: www.revista.agulha.nom.br.

Em dois anos de circulação da Agulha Hispânica, há um balanço mínimo que cabe aqui observar. Houve certa decepção da parte de colaboradores de língua portuguesa quando dissemos que os temas de interesse da revista circunscreviam-se à cultura e às artes de língua espanhola. Um acompanhamento estatístico permitiu verificar que fomos mais visitados por leitores de língua espanhola do que leitores de língua portuguesa. A ideia de despertar a atenção, no leitor brasileiro, acerca de um ambiente cultural de um idioma vizinho, não funcionou. O poeta argentino Aldo Pellegrini, em 1966, ao publicar na Espanha sua Antología de la poesía viva latino-americana, dizia, no prólogo, que “Brasil y la América hispana comparten los mismos problemas y utilizan un idioma accesible para cualquiera de las partes”. O desejo, mais do que constatação, de Pellegrini, é algo que não se verificou até hoje, exceto em um ambiente circunstancial que mais reflete uma justificativa da ausência de diálogo do que propriamente um interesse de aproximação cultural. Mesmo nas mesas de negociação comerciais ou diplomáticas encontramos desinteresse mútuo em maior conhecimento da língua ou da cultura dos países envolvidos.

Brasil e América Hispânica são dois mundos desencontrados. Os pontos em comum são de uma graça magnífica, porém é uma terra de cegos, em que ninguém quer ver; nativos simplesmente se regozijam da cegueira que os impede de compartilhar um mundo tão vasto e rico, tão múltiplo e afinado em uma legitimidade mestiça que dota o próprio continente americano de uma potencialidade invejável. Aventurar-se como o fez Ken Burns (1953) pelas vísceras da formação do jazz nos Estados Unidos e a partir dessa viagem compor um documentário que reflete essencialmente uma riqueza mestiça, é algo que nos falta à América Latina, naquele sentido de estabelecer diferenças, similitudes, singularidades, afinidades, uma viagem musical cujas entranhas podem dar a senha para descobrir outras viagens, no mundo plástico, na literatura etc. Não justifica eleger os Estados Unidos como um inimigo comum, ao mesmo tempo em que não fazemos nada por mergulhar em nossa história e buscar conhecimento ulterior e pontos coincidentes.

A história da colonização do continente americano é a mesma, de uma ponta a outra de nossa vastidão territorial, sob muitos aspectos. Exploração humana e de recursos minerais, escravidão e deformação religiosa. O balanço de meio milênio não nos torna mais ou menos vítimas ao norte ou ao sul. Desastres ecológicos, acidentes “naturais” provocados, racismos disfarçados em truques de inclusão social, não há governos mais ou menos cretinos em toda a extensão territorial. Cada um participa com seu talento para a desagregação. E à sua maneira, ao modo da conveniência de cada um, as castas intelectuais são coniventes, passivas ou ativas, desse processo de desintegração cultural.

Eu sempre encontrei muita dificuldade no meio intelectual de meu país ao dizer: “temos uma responsabilidade direta nisto…”, em grande parte por esse alheamento que tanto caracteriza o intelectual no Brasil, essa ideia distorcida de que errados são os outros. Um país sem diálogo, que avança (não evolui) por negociações sob a mesa, subterfúgios, arranjos irreveláveis, subornos etc. Uma mesma casta se julga no direito de dissociar-se em defesa ou acusação de Cuba, Estados Unidos, Venezuela, Honduras, sob inúmeros aspectos alheia à essência, alimentada futilmente pelos efeitos de mídia. O Brasil abandonou à própria sorte sua região central e se fez cego em relação à fronteira com os demais países sul-americanos. A única ponte possível, nos dois casos, é a da prevaricação política, do tráfico em suas múltiplas formas corrosivas, a prostituição etc. Nem os poetas da região escrevem sobre o tema. Ninguém se compromete com nada neste país. Terra de Pilatos, aqui ninguém suja as mãos. O país olha para um mar fictício, talvez sonhando com D. Sebastião que venha nos trazer a glória excelsa na terra.

Contudo, a maravilha da existência humana é que os desafios não se esgotam. Concluímos este breve ciclo de dois anos da revista Agulha Hispânica, que assume nova forma de circulação dentro do Projeto Editorial Banda Hispânica, ao mesmo tempo em que inauguramos, já em janeiro de 2012, a nova fase da Agulha Revista de Cultura. Sempre contando com a cumplicidade irmã do Jornal de Poesia, avançamos em mais uma etapa, plenamente conscientes de nossa contribuição à cultura.»

Editorial de AGULHA HISPÂNICA | REVISTA DE CULTURA, nº 12

01. La esfinge insurrecta: poesía en hispanoamérica | Floriano Martins

02. Armando Romero: magias en Cajambre | José Prats Sariol

03. De trovadores y juglares | Américo Ochoa

04. Eduardo Molina Ventura, en los días de nuestros años | Hernán Ortega Parada

05. Gaitán: la sociedad de control en los días del odio… El día del odio, de José Antonio Osorio Lizarazu | Luis Carlos Muñoz Sarmiento

06. Los autobiografemas de Cícera | Pedro Granados

07. Pablo Neruda, El habitante y su esperanza, más allá del surrealismo | Maria Aparecida da Silva

08. Premoniciones políticas y religiosas en Freddy Gatón Arce | Manuel Mora Serrano

09. ¿Qué es una Noche de celofán? Alfonso Peña y El límite del patio | Guillermo Fernández

10. Tábanos 13 poetas chilenos | Christian González Díaz

Artista convidado
Eligio Pichardo | República Dominicana
La imagem popular en la pintura de Eligio Pichardo | Jeannette Miller

30/03/2011

ÂNGELO DE SOUSA

por cam

Com a devida vénia, do Público de hoje:

Doente e afastado da sua arte desde há já vários meses, desapareceu agora um artista que foi “um dos protagonistas da contemporaneidade artística portuguesa, que se distinguiu sobretudo pelo seu experimentalismo e pela procura incessante de novas linguagens”, disse ontem ao PÚBLICO João Fernandes, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS). Ângelo César Cardoso de Sousa nasceu em Maputo (então Lourenço Marques), capital de Moçambique, em 1938. Em 1955 mudou-se para o Porto para frequentar a Escola de Belas-Artes, onde se formou em Pintura. Integrou, na década de 60, nesta cidade, o grupo “Os Quatro Vintes” (com Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues). Criou depois uma obra pessoal e única, que se expressou principalmente na pintura, mas que cultivou muitas outras formas e disciplinas artísticas, como o desenho, a escultura, a fotografia, o cinema e o vídeo amador.
Para sintetizar o sentido da obra de Ângelo de Sousa, João Fernandes cita, de memória, o título de um quadro seu: Algumas formas ao alcance de todos. “Ele sabia criar formas e cores, que colocava ao alcance de todos nós, como ninguém o tinha feito até aí. Deixa uma obra pioneira, não só no contexto português, mas também a nível internacional, que um dia será devidamente reconhecida em todo o mundo”, acrescenta o director do MACS – em cuja colecção a obra de Ângelo de Sousa está devidamente representada.
Paralelamente à sua carreira de artista, e depois de ter frequentado, como bolseiro da Fundação Gulbenkian, a State School of Art e a Saint Martin”s School of Art, ambas em Londres, Ângelo de Sousa leccionou na ESBAP, onde se jubilou, no ano 2000, com a categoria de professor catedrático.
Desde o início da década de 60 realizou inúmeras exposições individuais e participou em colectivas em Portugal e muitos outros países.
Entre os vários prémios com que foi distinguido, assinalam-se o da Bienal de Arte de S. Paulo (1975), no Brasil, e o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian/Arte (2007), em Lisboa.»

A RT2 exibe hoje à noite, 30 de Março, pelas 20h50 o documentário ÂNGELO DE SOUSA: TUDO O QUE SOU CAPAZ de Jorge Silva Melo.

ÂNGELO DE SOUSA: TUDO O QUE SOU CAPAZ

Com Nuno Faria e João Perry Assistência de realização Joana Frazão Imagem José Luís Carvalhosa Som Armanda Carvalho, Quintino Bastos Montagem Vítor Alves e Miguel Aguiar Produção João Matos, Manuel João Àguas Realização Jorge Silva Melo Uma Produção Artistas Unidos/ RTP

segundo anuncia a newsletter dos Artistas Unidos.

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