Posts tagged ‘Açores’

01/06/2012

CADERNO DE ARTISTA(S)

por cam

Tenho entre mãos um livro que se assemelha a um pequeno caderno de artista – a ausência de um título na capa – onde apenas se esboçam dois corpos verticalmente unidos –, o papel, os versos em estrofes curtas aninhadas a um canto e de vez em quando as quase mulheres desnudas, sexos, seios, mas sempre em sombra, em imprecisão (“andar por aí / dentro da tua sombra / enxuto.” – E.J. Botelho), um certo pudor mas que não deixa de ser sensual – ou por isso mesmo – tudo num papel creme, suave, espraiante. E como são bonitas as guardas em cartolina amarela, garrida! Capas duras, a resguardar “Dois poetas e um pintor”, eles António Teves (Ponta Delgada, 1954-) e Emanuel Jorge Botelho (Ponta Delgada, 1950-), e no singular o pintor Urbano (ilha de São Miguel, 1959-). Honra dada à Artes e Letras /Solmar (Ponta Delgada), sabiamente dirigida pelo José Carlos Faria (edição de 2010, que teve uma tiragem especial de 50 exemplares, com caixa, numerados e assinados pelos autores e acompanhados de uma gravura – a inveja que eu tenho de apenas ter o livro e a caixa…).

A obra de Urbano parece ter uma relação íntima com a escrita (já aqui abordei um exemplo, o do seu trabalho, mais uma vez, com o poeta Emanuel Jorge Botelho tendo Antero como leit motiv). Conheço mal o seu trabalho, mas aqui o que aqui ressoa é uma sensibilidade muito delicada, que eu identifico com uma espécie de sageza do incerto – estas mulheres são de agora mas também de um tempo outro, inscritas por mãos hábeis em grutas escuras e baixas, com a paciência da devoção. Mas sem aquela coisa horrorosa da idealização da mulher, do tipo “a mulher eterna”, etc., que faz as delícias dos “sopeiros” (e das “sopeiras”).

Os outros “artistas” domam a palavra, adoçam-na, burilam-na, sopesam-na antes de a inscrever na superfície macia, mas traiçoeira, da folha. Há, de maneira mais evidente em Botelho, não apenas a adoração de uma (dada) mulher, o seu louvor, mas também um certo sentimento de perda, ou de solidão forçada, “na memória, / a serenidade dos teus dedos, / o tempo, lento, das heras”, “vinhas ao longe e eu já sabia dos teus passos; // todos os dias eu roubava o silêncio à solidão, / matava a morte”. “sempre foi de silêncio / cada manhã dos teus olhos // e eu deixei-me ficar”. Gosto da secura deste poeta, do que tenta, tenso, que intui certa impossibilidade, “riscar a pele e ver o teu nome / seguro sobre a linha”.

O amor, claro, “o amor não rima, porque não cabe, / no eco”. “pouco se diz para meu amor dizer. // a fala precisa magoar / os espelhos”.

Com ecos mais evidentes de outros poetas, António Teves, que é músico/professor, procura igualmente a precisão dos versos, nada a mais, nada a menos. Todavia, se as suas mãos estão “geometricamente sós”, elas têm a magoá-las “as arestas penetrantes do silêncio”; ou cisnes que regressam ao “delta branco / do dia”.

Um livro é também um objecto. Lamento não poder colocar aqui, partilhável, este precioso livro de artistas.

25/05/2012

O TERROR

por cam

A natureza do terror abre uma espécie de fenda no pensamento: “escrever um poema após Auschwitz é um acto bárbaro, e isso corrói até mesmo o conhecimento daquilo que tornou impossível escrever poemas.” (Theodor Adorno). Celan, com o seu poema “Todesfuge” [“Fuga da morte”], versos nos quais evoca o horror da Shoah [Holocausto], levou muitos a questionarem o veredicto adorniano.

Entre nós, a guerra colonial calou muitas vozes – não apenas as dos homens que física e mentalmente tombaram na guerra real, mas também as dos outros, as dos sobreviventes, quer a tenham directamente sofrido, quer não. É claro que há a excepção de Manuel Alegre, na poesia, e de Lobo Antunes, na ficção, ou os esforços antológicos de João de Melo, mas não muito mais (parece existir agora, muito recentemente, um movimento em sentido contrário). Falamos disto como se fosse uma necessidade – será mesmo? O problema é que não sabemos se a ausência se deve a uma espécie de recusa ética e, digamos, ontológica, ou se a outras razões menos compreensíveis (aceitáveis?). Ninguém saberá – mas a questão – porque se corta das nossas experiências estéticas o terror – existe, como as bruxas (que las hay, las hay).

O novo livro de Urbano Bettencourt (Piedade, Pico, Açores, 1949-), “África Frente e Verso” (Ponta Delgada, Letras Lavadas, 2012) mergulha na guerra (já o tinha feito antes, e alguns dos poemas e textos deste livro apareceram justamente em livros anteriores). A sua experiência da guerra colonial (Guiné) acompanha-o (homem e poeta) até hoje – o último poema deste livro, “Agostos”, vem datado de 2011. Nos melhores momentos deste livro, como em “Da ilha carn(av)al”, de 1973, esbatem-se as fronteiras entre géneros e ficam as palavras na eterna luta do dizer o inominável (não apenas a guerra, ou o terror…). E delas ressalta, quem sabe se pela intensidade do vivido, outra intensidade, outra beleza (porque não?), porque a palavra é justa (ali), porque faz embater em nós ritmos, conjugações inesperadas, mas sempre com a força do retorno ao espaço e ao tempo do terror, espécie de ética de que Urbano parece não querer abdicar (e que, aqui e ali, parece tolher-lhe o impulso do dizer – questão controversa e longa de debater).

O plural de Agosto, trazido à liça lá em cima, é um modo do Urbano religar tempos, o do tempo em que uma “metralha e fogo e luz / e um homem deixou no adobe da parede / o seu retrato de cinza.”, o tempo em que “sobre uma esteira podia morrer-se de loucura / num corpo a corpo de vencidos, / desafiando a sombra da outra morte. A que vem / por detrás e por diante, da direita e da esquerda, / e deixa os seus dentes de chumbo na carne destroçada.” – e o tempo, o nosso de agora, o dos “pares que se devoram / nos jardins de cimento” “Não há chuvas neste Agosto. A calma / vibra nos telhados, as guerras trazem outros nomes, / outros donos. E talvez seja assim que tudo tem de ser. / E talvez seja este o melhor dos mundos.”

 É mesmo preciso religar coisas. Ou não.

18/05/2012

ANTERO REVISITADO

por cam

Antero é uma figura que continua a ter alguma presença entre nós – não a que mereceria, convenhamos, mas, mesmo assim, certos sinais continuam a chamar a nossa atenção para o homem genial e atormentado que ele foi. Li, com um imenso agrado, o livro que Armando Silva Carvalho escreveu em torno da sua figura (“Anthero Areia & Água”, Assírio & Alvim, 2010), poemas escritos em simultâneo com a leitura das cartas do poeta açoriano, publicadas por Ana Maria Almeida Martins na IN-CM). Agora, uma singular edição que junta poemas de Emanuel Jorge Botelho (Ponta Delgada, 1950–) e reproduções de arte de Urbano (Ilha de S. Miguel, 1959–), numa pequena edição da Publiçor, Ponta Delgada, saída em 2010: “Antero de Quental, a vida e uma manhã” (com versões em inglês dos poemas – “A life and a morning”).

Trata-se de uma homenagem, e, tal como em certa medida em Armando Silva Carvalho, o que agora parece despertar em particular o interesse do poeta e do pintor seja o peculiar suicídio de Antero – na epígrafe, o excerto de um poema de Couto Viana: “À porta do Convento da Esperança, / Rezo ao banco de Antero. / A sua alma, em paz, ali descansa, / depois do tiro do desespero.” Botelho, nos seus cinco breves poemas, adere à razão de Antero no seu desacerto com a vida, nocturna, como um peso de alma, “duas lâminas embutidas / no pulso, calado, da morte.” De um mesmo lance, o seu contrário: “vou-me embora, disseste, olhando a manhã nos olhos / cansado do embuste da noite. Os opostos “noite” e “dia” funcionam aqui como motor da retórica poética de Emanuel Jorge Botelho. Antero, para ele, foi um ser incomunicativo, à espera de uma libertação, um ser que falava “para dentro do silêncio, / esse lugar enxuto de palavras / onde deus Guarda papel branco” – forte imagem que vai para além da relação de um poeta que fala de outro poeta, mas da criação poética tout court. Todas as suas palavras neste livro poderão, aliás, ser lidas nesta perspectiva – e não me parece abusivo lê-las assim, um sentido preito ao poeta e à poesia.

A participação do pintor Urbano é a reprodução do seu “Caderno de Antero”, de 1991 (técnica mista sobre papel) e “Antero” (óleo e colagem sobre tela), de 1992, ”não existindo, portanto, coincidência temporal entre a arte de Urbano e a escrita dos poemas por Botelho (em 2009). No “Caderno”, o rosto de Antero é o motivo central. Surge ora contrastado quase a negro-branco, ora matizado, ora apenas esboçado – como se desaparecesse diante dos nossos olhos inquiridores ou tão pouco chegasse a existir, uma espécie de limbo, in betwween. Num dos “retratos” oferece-se um rosto ensanguentado, melhor dizendo, um rosto sem rosto em que o sangue é a sua única identidade. O corpo (adormecido, morto?) não parece pacificado – ou uma possibilidade de Antero continuar entre nós, sobreviventes. Com o mesmo sinal parece o pormenor do banco (do suicídio) – antes ou depois da morte, com uma nuvem que derrama uma água que (já lavou) o sangue derramado (pelo inacreditável tiro duas vezes repetido).

Precioso livro para nos acompanhar na leitura de Antero e na reflexão sobre a (sua) vida.

10/05/2012

ACONCHEGOS

por cam

Em ilhas que são desertos de livrarias, e em tempo chuvoso, sabe bem receber livros de amigos.

Ontem e hoje, foram: cerca de 20 obras da editora Sempre-em-Pé, de que deixo aqui a foto de Instrumentos de Sopro, de Ruy Ventura. De outros amigos: Ensinar Caminho ao Diabo e Um Lugar a Menos, do Miguel-Manso (ed. autor). E de João Borges da Cunha e Jorge Fazenda Lourenço: Corpo Arquitectura Poema. Leituras inter-artes na poesia de Jorge de Sena (Assírio & Alvim).

Junto o Já Não Vem Ninguém, do Sidónio Bettencourt (Veraçor), que veio em outra leva de ofertas mas que ainda não tive oportunidade de ler, e por isso se junta a estes.

O monte cresce…

23/04/2012

ILHAS…

por cam

E-mail recebido pelo meu amigo Urbano Bettencourt, que quis partilhar:

«Una isla es un punto de conciencia en el mar»
Lawrence Durrell
“El Viernes pasado di una charla en la Sala Manuel Padorno sobre la importancia de la literatura insular y su espacio en el mundo literario actual. Pude presentar los siguientes proyectos en los que he trabajado y colaborado estos años para la difusión de la literatura insular:
De izquierda a derecha la antología Poetas canarios en Buenos Aires (Ed La Máquina del Tiempo, Argentina), la antología Poetas de Islas Canarias (Ed La Otra, México), Las islas de los Secretos/ Ilhas dos Segredos (Ed Anroart, Canarias), la Revista Neo (Universidad de Azores), mi ensayo La isla Inventada (Ed Universidad Nacional de Irlanda) y la revista Magma (Isla de Pico, Azores).
Sigo pensando que es el momento de las islas en el mundo: en las islas trabajamos la poética de la relación, la creolidad, el mestizaje cultural, la universalidad… En esta época de globalización y uniformidad del pensamiento el concepto isla, ese punto de conciencia en el mar, puede ser una nueva de forma de proponer nuevos paradigmas culturales. Los archipiélagos somos conjuntos de territorios unidos por aquello que nos separa. Unidos por «aquello» que nos separa es nuestro estilo. Tenemos que seguir indagando. Quizá esté en las islas el secreto que hay que desvelar…
abrazos
Juan Carlos”

15/04/2012

ÁFRICA FRENTE E VERSO

por cam

ÁFRICA FRENTE E VERSO, o novo livro do Urbano Bettencourt, edição Letras LAVAdas, a nova chancela da Publiçor.

10/04/2012

DIMAS SIMAS LOPES

por cam

O prestigiado médico e galerista Dimas Simas Lopes lançou o romance Sonata para um viajante, uma edição Calendário de Letras,  no passado dia 31 de Março, na sua Carmina  Galeria (Angra do Heroísmo), com apresentação do poeta e crítico literário do jornal Expresso Carlos Bessa. No dia 1 de Abril foi a vez do escritor Álamo Oliveira fazer a apresentação na Freguesia dos Biscoitos, e no dia seguinte, na Livraria Solmar (Ponta Delgada), com apresentação a cargo do escritor Vasco Pereira da Costa (que antecedeu na Direcção Regional de Cultura dos Açores a pianista Gabriela Canavilhas e presentemente Jorge Paulus Bruno, ex-directo do IAC e do Museu de Angra do Heroísmo). 

Estou curioso.

09/04/2012

CINEMA PORTUGUÊS

por cam

«A Associação Cultural Burra de Milho promove, durante o ano de 2012, a Mostra de Cinema Amostra-me Cinema Português, a uma quarta-feira de cada mês do ano, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.

Amostra-me Cinema Português arrancou no passado dia 29 de Fevereiro, pelas 21h00, com o apresentação do filme Angst, de Graça Castanheira, tendo posteriormente sido apresentado o filme Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut, no dia 21 de Março. Ambas as sessões contaram com a presença dos realizadores, que estiveram disponíveis para uma conversa com os espectadores, após o visionamento do filme.

O filme de Abril é Como Desenhar um Círculo Perfeito, de Marco Martins, e será apresentado no próximo dia 18 de Abril, pelas 21 horas no Pequeno Auditório do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.

Amostra-me Cinema Português é uma organização da Associação Cultural Burra de Milho, com o apoio da Direcção Regional da Juventude, da RTP/Açores, Culturangra e New Copy.

Amostra-me Cinema Português é antes de tudo uma intenção de manifesto da vida através do cinema. É um manifesto.

O Filme de Maio será anunciado no dia 18 de Abril, na sessão de cinema.

 Os bilhetes custam 2 euros. 50% de Desconto para Sócios.

Para mais informações: burra.de.milho@gmail.com * burrademilho.blogspot.com * 913932283 »

27/01/2012

MAGMA EXPULSA E LEMBRADA

por cam

POR VAMBERTO FREITAS

“Cada texto foi inscrito com o seu valor próprio e com os decorrentes de cumplicidades, atracções e repulsas – tensões próprias de uma revista com identidade irrepetível.”

Carlos Alberto Machado, Coordenador da extinta revista Magma

«As palavras de Carlos Alberto Machado, um dos fundadores e coordenadores da (extinta) revista literária Magma, referem-se ao número zero de lançamento publicado pouco antes, e havia já chamado a si um diversificado grupo de escritores, uns mais conhecidos do que outros, residentes nos Açores e no Continente. Depressa esse rol de colaboradores aumentaria consideravelmente, Magma abriria as suas páginas à nossa diáspora, desde os Estados Unidos e Canadá ao Brasil, assim como a participantes de outros de países, alguns deles naturalmente em tradução. A edição inaugural incluía ainda uma separata de poesia, que se publicaria com outros dos seguintes sete números, cada uma coordenada por um escritor ou poeta convidado/a, tal como a revista no seu todo até ao seu abrupto desaparecimento em 2008. Estava assim lançada em 2005, a partir da Câmara Municipal das Lajes do Pico, sob a direcção também de Sara Santos, uma das melhores publicações de “criação literária” nos Açores, tendo como única companhia no arquipélago a NEO dirigida por John Starkey e com a chancela do Departamento de Línguas e Literaturas Modernas da Universidade dos Açores, mas mantendo uma autonomia editorial absoluta.

É certo que revistas ligadas aos nossos institutos culturais na Horta, em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada sempre serviram como outras “universidades” da nossa classe culta, privilegiando a investigação história, sociológica e literária, mas só nestes últimos anos publicações como a Magma e a NEO davam continuidade ao que muito anos antes iniciara A Memória da Água-Viva, sob a direcção de José Henrique Santos Barros e Urbano Bettencourt a partir de Lisboa nos anos 70. Todos estes projectos tiveram ou têm características editoriais muito próprias: o diálogo literário implícito inter-geracional, colocando escritores de nome feito ao lado dos mais novos, estes sempre em busca de meios para chegarem a um público leitor na sua sociedade e, quando possível, para além dos horizontes regionais e nacionais. Ainda hoje as little magazines, assim chamadas nos EUA pelo seu formato livresco em que a criatividade visual quase sempre faz parte da sua originalidade e distinção, constituem (sem que a net as ameace, por enquanto) as mais procuradas publicações pelos que buscam sistematicamente a inovação ou as novas tendências literárias em qualquer língua. A Orpheu em Lisboa (Fernando Pessoa) e depois a Presença (José Régio, Casais Monteiro e João Gaspar Simões) em Coimbra foram para a nossa literatura o que The Paris Review ainda hoje representa para os norte-americanos: estar presente em qualquer uma das suas edições é ficar consagrado ou, no mínimo, apresentado a leitores de maior exigência literária e cultural.

Magma cumpria por inteiro a missão literária inerente a estes projectos. Olhando a vasta lista de participantes na suas páginas, nota-se de imediato a presença da maior parte dos nomes açorianos associados à nossa nova geração de escritores em convivência de igualdade sem apologias com alguns dos autores mais conhecidos e prestigiados em Portugal, desde Alberto Pimenta, Ana Hatherly, Ana Martins Marques, Manuel de Freitas e Gonçalo M. Tavares a outros de língua portuguesa como Luiz António de Assis Brasil e Lélia da Silva Pereira Nunes (que coordenaram um dos números da revista, levando alguns escritores brasileiros a ficcionarem os “seus” Açores, alguns deles nunca tendo cá estado). Da diáspora, uma vez mais, para além dos emblemáticos Onésimo T. Almeida e Francisco Cota Fagundes, aí está Frank X. Gaspar cuja obra em parte comemora a sua ancestralidade picoense, tendo merecido uma separata por mim traduzida sob o título de um dos seus poemas, A Noite dos Mil Rebentos. Não serão, no entanto, os nomes, por mais famosos que sejam na literatura nacional (nacional aqui inclui os Açores e os açorianos, naturalmente) ou estrangeira, mas sim porque a Magma passou a constituir, na sua relativamente curta existência, outro grande repositório da nossa memória colectiva, o que mais interessa sempre na escrita em qualquer uma das suas formas criativas ou ensaísticas, já para não falar no estímulo ao trabalho entre os que, apesar do seu inegável talento intelectual, raramente encontram um meio de divulgação da sua obra incipiente ou já legitimada quer pela comunidade quer institucionalmente. Para uma região que sempre se demarcou a nível nacional pela sua criação ou produção literária, mas sofre do provincianismo reinante e da lonjura das sectárias máquinas editoriais e de favores sem fim da nossa capital, só iniciativas como esta garantem a dignidade cultural do nosso povo, asseguram para as gerações vindouras os arquivos artísticos da sua própria ancestralidade geográfica, histórica, intelectual. Quem acha que isto tem importância menor, como parece ser o caso entre nós neste momento, esquece-se que a desmemória colectiva é bem-vinda e essencial à já reinante ditadura pós-moderna, ao novo fascismo engravatado que se auto-denomina de Mercados e nos corrói a todos. Um povo sem a sua voz fica coisificado e apto a ser manobrado por todos que o querem na condição de escravo. Por outro lado, a descentralização da cultura é também já um facto notável em muitos países avançados, os centros estão a virar margens ou a evoluir para comunidades de interesses outrora totalmente dominantes a partir dos grandes espaços ou cidades. Cada sociedade terá agora de garantir os seus próprios meios para se afirmar e se auto-afirmar perante os outros que partilham ou não o nosso destino. No que se refere a publicações deste género e ao diálogo a um nível superior sem nunca deixar de incluir quem deseje participar, não poderemos colocar no fim das prioridades dominadas por supostas manifestações de “cultura” no que entre nós passaram a ser festas instantâneas, com muita perna pimba e vozes sem talento em palcos estupidamente improvisados á beira-mar – a um custo, para os nossos cada vez mais limitados recursos, avassalador e cuja destruição maior tem sido também a marginalização e amordaçamento dos tradicionais rituais festivos nas freguesias rurais de todas ilhas.

“A NEO — escreveu Urbano Bettencourt no número três (2006) da Magma, por ele coordenado — publica-se em Ponta Delgada e fica muito bem aí mesmo; A Magma publica-se nas Lajes do Pico, que não são a capital ou ex-capital de coisa alguma, não têm uma ilha em frente, embora sejam o lugar de onde é possível ver a Montanha nascer das águas, como Vénus. Quer dizer, a Magma também fica muito bem onde está, sem complexos de lugar, pois, como afirmava o escritor cabo-verdiano Manuel Lopes, a partir da Horta e em meados do século passado, o pior que pode acontecer a um lugar pequeno é ser, simultaneamente, tacanho”.

Magma, pois, pela sua inquestionável qualidade em cada número publicado e pela sua abrangência de temas, geografias dos nossos afectos e estilos, prestigiava como poucas outras publicações nossas a literatura dos e nos Açores. Que partia de uma pequena vila açoriana fora do triângulo do poder político regional só lhe trazia um estatuto que em Portugal será difícil de encontrar, habituados que estamos às falsas e moribundas grandezas dos “grandes” centros. Não deveríamos esquecer que a grande tradição intelectual e criativa das nossas ilhas – não sou o único a afirmá-lo — tem a sua primeira base na página impressa, quer se trate de livros, jornais ou revistas, precisamente os meios mais ignorados cá nos tempos que correm.

Magma ficará arquivada e citada por muitos outros como testemunha do trabalho intelectual sério e universalmente identitário. O resto e os autores do nada irão cair irremediavelmente no muito merecido esquecimento.»

________________________

Magma (2005-2008), fundada e dirigida por Sara Santos e coordenada por Carlos Alberto Machado, Câmara Municipal das Lajes do Pico, Pico, Açores.

Texto publicado hoje, Sexta-Feira 27 de Janeiro, no Açoriano Oriental e também no blogue de Vamberto Freitas.

 

08/01/2012

NEMÉSIO vs MAGALHÃES #03

por cam
J.M. Magalhães

O outro poeta que Magalhães conjuga com Nemésio (ver NEMÉSIO vs MAGALHÃES #02) é João Miguel Fernandes Jorge (Bombarral, 1943-) – que, tal como Júdice, também iniciou cedo a produção poética (publicou o primeiro livro de poesia em 1971). Tanto em 1978 como em 1999 tinha várias obras publicadas. Para além de outros sinais, Magalhães faz acentuar o terem ambos uma “obsessiva vocação de real” (p37), no caso específico de Nemésio, a “imersão hiper-real na banalidade e no concreto do quotidiano”, é também uma “linha motora (talvez pela sua estreita ligação com a representação pictórica) da obra de Fernandes Jorge”.

J.M. Fernandes Jorge

Para além das “consequências processuais paralelizáveis entre Andamento Holandês, de Nemésio e «Castelos de Holanda», de O Barco Vazio, de Fernandes Jorge” (p.38) e de permeio os Açores, o primeiro por ser a sua terra natal, o segundo por lhe dedicar mais de um livro, Magalhães lembra outras coisas, duas, que “contribuem fortemente para aproximar estes dois poetas na busca da amplidão temática e na consciência da imersão numa cultura particular.”

“Uma, o recurso à profundidade histórica nacional para dela fazer irromper a novidade dos versos.” (id.) “Outra, a reformulação da herança de António Nobre nos dois poetas, sobretudo nos seus poemas mais longos.” “A ligação à terra pessoal, as memórias do passado vivido, a complexidade metonímica das imagens, a associação do mito pessoal ao mito colectivo, o urdir de uma discursividade carregada de pequenas sequências quer emocionadas quer comprometidas quer auto-irónicas configuram aquilo a que poderia chamar a reinvenção da lição de Nobre.” (p.39)

Nem tudo fica dito, segundo JMM, que também crê que a obra de Nemésio representou muito “para a ultrapassagem das convenções modernistas e para a acentuação renovada do valor dos ritmos mais antigos da língua e das suas tradições orais.” (id.)

Vitorino Nemésio

Os blogues têm, com maior ou menor capacidade, uma função ampliadora e, sobretudo, de fazer chegar discussões e acontecimentos, tantas vezes como fruto do acaso, a leitores que por sua iniciativa talvez deles nunca tivessem conhecimento. As leituras de Joaquim Manuel Magalhães que aqui resumidamente trago de novo à liça vêm com essa convicção – ou esperança; perseguem, portanto, um objectivo, digamos, didáctico. Por outro lado, e concomitantemente, para outros leitores mais interessados (e supostamente informados e “lidos”), pretendem lembrar certas coisas, estimular leituras novas, reacender trocas de ideias. Os livros vivem bem com o tempo, que sempre os renova, tal como os grandes poetas, como Joaquim Manuel Magalhães, que tão bem sabe dialogar com os seus pares, criadores de pontos de contacto (ou de passagem), para outros mundos. Fazer mundos.

[continua]

08/01/2012

NEMÉSIO vs MAGALHÃES #02

por cam

Joaquim Manuel Magalhães

Cerca de 18 anos depois da primeira incursão na obra de Nemésio, Joaquim Manuel Magalhães (JMM) volta em Rima Pobre. Poesia Portuguesa de Agora (Presença, 1999) ao autor de Festa Redonda.

No texto em referência (pp.31-40), Magalhães sugere “uma leitura poética de Vitorino Nemésio enquanto lugar verbal onde surgem processos que, embora por vias distintas, acabam por ser semelháveis a posições processuais que poetas mais novos, pela altura da sua morte [1978], vinham a encontrar como terreno de vontade e de possibilidade.” (p.32) Convém dizer, antes de se perceber como Magalhães define esses pontos semelháveis, que ele considera que a “qualidade da poesia portuguesa recente assenta na recusa de uma dependência intergeracionalista.” (p.31) E diz “que não será prudente procurar encontrar continuidades e influências onde elas não existem. Porquanto apenas existe a justaposição que certas poéticas entre si fomentam, depois de terem demandado a originalidade criativa própria.” (pp.31-32)

Vitorino Nemésio

O breve apreço que Joaquim Manuel Magalhães faz da obra de Nemésio ancora-se na sua eleição de Festa Redonda e Andamento Holandês como “as suas duas obras culminantes” (p.33). Magalhães anota hipóteses de ler as “linhas de tradicionalidade” em Nemésio, entendida tradicionalidade como “um processo de sedimentação do distinto”, tanto no semelhante como nos “radicais actos de rompimento” (p-32). Assim, pode enumerar JMM de Nemésio a “tradição oral novilatina”, a “poesia em francês na esteira de Gautier ou Verlaine”, de “cantadores tradicionais portugueses” e o “simbolismo de Nobre”. (id.) Em Nemésio considera JMM marcas distintivas como o “enlouquecimento processual (em Festa Redonda) só equiparável a Cesariny – modo radical do uso da métrica, sabotada em ambos pela “manutenção de uma rima, de uma toada, de um espelhamento qualquer que atira ao leitor um surpreendente estilhaço”, e dá um exemplo

Deixa à ida uma pluma

Que eu distraído escolha

Como na onda uma

Rolha.

(p.33)

Nuno Júdice

Entrando na aproximação a Júdice, Magalhães evoca raízes e pontes comuns – convém, antes, assinalar que Nuno Júdice (Mexilhoeira Grande, 1949-) publica poesia desde 1971 (A Noção de Poema) e em 1999 já contava com 22 títulos publicados (até 1978, ano do desaparecimento de Nemésio, publicara 7 obras – apenas para citar nomes: Antero, Gomes Leal, Eugénio de Castro, Junqueiro, Pessanha ou Soares dos Passos, e as fontes italiana e francesa: Leopardi, Baudelaire, Mallarmé, Laforgue e Lautrèamont, até chegar a Valéry. E ainda Hölderlin, que considera também associável à poética de ambos. Magalhães gosta de destacar, em termos de processos, a “violência formal que constitui a extremização do uso da quadra (…) para além da demanda popular” (fora do popular, Nemésio percebeu a radicalidade de Eliot e Pound e a “destruição dos preconceitos versilibristas herdados de Whitman por simbolistas e por modernistas” (p.35).

De volta a Júdice, outro campo de cruzamento com Nemésio, o uso do soneto; assinala três vectores no século XX português: o rompimento com a processualidade usual desta forma; variações que fundem a forma original com modelos e intuitos prosódicos mais populares; uso retradicionalizador da forma renascentista. Fora “desta dimensão formal específica do soneto, ambos os poetas se afastam, no que diz respeito ao uso da prosódia” (p.36).

Dentro das diferenças, o que muito aproxima estes e outros poetas (Manuel Gusmão, por exemplo), é a “total adesão ao poema como consciência da sua escrita” (id.) “A partir de 1959, a presença do estético como referencialidade interna do poema surge em vários poemas de Nemésio.” E as referências culturais não deixam de produzir “um seguro efeito de estranhamento” que é mesmo conseguido “dentro de situações verbais típicas da sua poesia desde o primeiro livro, precisamente nisso que diz respeito ao uso da quadra e da redondilha” (p.37). Esta “estúrdia processual” só Cesariny consegue equivaler.

[continua]

07/01/2012

NEMÉSIO vs MAGALHÃES #01

por cam

Em Os Dois Crepúsculos (Lisboa, A Regra do Jogo, 1981) Joaquim Manuel Magalhães (Peso da Régua, 1945-) conta como se encontrou, admirado, com a poesia de Vitorino Nemésio (Terceira, 1901-Lisboa, 1978), a partir da leitura de Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (Lisboa, Arcádia, 1976) – e diz, coisa curiosa, que leu “às arrecuas toda a poesia de Nemésio, entusiasmado pelos catorze poemas de Andamento Holandês.” (p.18)

Joaquim Manuel Magalhães

O texto de Magalhães edita-se em livro em 1981, mas presumo que o original, publicado em jornal, terá sido escrito pouco tempo depois da morte de Nemésio, que ocorreu em 1978. Magalhães confessa que “não gostava da figura humana Vitorino Nemésio.” (p.16) “Quando um homem morre o que vamos fazer?” O autor de Uma Luz com um Toldo Vermelho demarca-se daqueles que “tratam de arranjar um pássaro necrófilo que cantelacrimeje sobre o pobre morto em nome da perpetuação.” (id.) Porém, “Há uma coisa (…) que começa a salvar-mo: nunca foi o laureado da maioria para nobel nenhum. Nunca publicitou marcas de vinho. Nunca dirigiu associações de escritores portugueses. Nunca andou a escrever cartas zangadas sobre os pobrezinhos escritores portugueses. Nunca pertenceu a nenhum movimento literário, desses que em meias-dúzias se juntam para dizer como a literatura deve ser, mais ou menos modernaça nas suas cópias da última geração que os antecedeu lá fora. Pode ter feito coisas piores, mas estas, tão feias, nunca fez, que eu saiba.

É um grande alívio ter-se uma literatura em que há um poeta que se sente diferente dos outros e sem o fazer por rabujice fechada em aldeias, ou por atavismo provinciano de reaça moral. Um poeta que é regional por cosmopolitismo (e não por neo-realice), católico por formalismo (e não por beatice), erudito por modernidade (e não por alfarrabice). É deste poeta que eu sinto a falta de não ir escrever mais poemas, por muito que pertença o homem que o trazia consigo a um desejo de vida que me incomoda a mim.” (p.17)

Vitorino Nemésio

“Não deixem que este poeta se vá embora. Não se preocupem com a fúnebre comemoração. Leiam-no. Assim ajudam a «matar a morte».” (p.19).

Este texto foi publicado em livro há 30 anos, não sei se repararam bem.

 [continua]
31/12/2011

12 LIVROS

por cam

Desde Outubro de 2007 anoto os livros que leio. Este ano, registei 60, de diferentes dimensões e tempos de leitura – e de diferentes anos de edição (alguns deles em releitura). Deixo aqui a lista das 12 preferências, por ordem alfabética do nome do autor/organizador:

» António Cabrita e João Paulo Cotrim, O Branco das Sombras Chinesas, Abysmo (2011)

» Armando Silva Carvalho, Anthero, a Areia e a Água, Assírio & Alvim (2010)

» Ascêncio de Freitas, A Paz Adormecida, Caminho (2003)

» Ernst Gellner, Linguagem e Solidão. Uma interpretação do Pensamento de Wittgenstein e Malinowski, Edições 70 (2001)

» Fernando Rosas e Maria Fernanda Rolo, (orgs.), História da Primeira República, Tinta da China (2010)

» José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política, Temas e Debates (3 vols: 1999, 2001 e 2005)

» Manuel de Freitas, A Perspectiva da Morte. 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX, Assírio & Alvim (2009)

» Miguel Morgado, Autoridade, Fundação Francisco Manuel dos Santos (2010)

» Natália Correia (org.), Antologia de Poesia Erótica e Satírica, frenesi/Antígona (1999, 1ª ed: 1965)

» Rui Ramos (coord.), Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal, A Esfera dos Livros (2010, 4ª ed.)

» Thomas Pynchon, Vício Intrínseco, Dom Quixote (2010)

» Vitorino Nemésio, O Corsário das Ilhas, IN-CM (1998)

"Respiro", ensaio de António Cabrita, nas edições Língua Morta, Novembro de 2011

26/12/2011

O TEMPO DOS ASSASSINOS

por cam

Outro projecto que a miopia política assassinou: a revista Magma. Com direcção de Sara Santos e minha coordenação editorial, a revista era editada em regime de “carta branca”. Além de mim, coordenaram números: António Cabrita, Lélia Nunes e Luiz Antonio de Assis Brasil, Judite Jorge e Mário Cabral, Urbano Bettencourt.

Publicaram-se 7+1 números: do zero (Maio de 2005), ao 7 (Dezembro de 2008), com Separatas do zero ao 4.

Participaram nos 7+1 números, dezenas de autores, repartidos pela poesia, conto, teatro, ensaio e tradução, de Portugal (mainland, Açores e Madeira), Brasil, Cabo Verde, Espanha (Canárias) e Moçambique.

Na fotografia aqui à vista, estão as capas dos números zero e 1, com as respectivas Separatas, a do zero com Avulsos por Causa (poesia), de Renata Correia Botelho, e a do 1 À Flor do Mar (crónicas sobre livros), de Inês Dias.

Eis a lista dos participantes da Magma, para “memória futura”:

Abel Neves, Albano Martins, Alberto Pimenta, Alexandre Borges, Alexandre Dale, Altair Martins, Amilcar Neves, Ana Francisco, Ana Hatherly, Ana Maria Fagundo, Antidio Cabal González, Ana Marques Gastão, Ana Paula Inácio, Andes Chivangue, Ângela Correia, António Cabrita, António Godinho, António Olinto, Armando Artur, Carlos Alberto Machado, Carlos Bessa, Carlos Henrique Schroeder, Carlos Nogueira Fino, Carlos Tomé, Carlos Urbim, Carol Bensimon, Celso Gutfreind, CEPiA, Charles Kiefer, Christina Dias, Claudia Gelb, Claudio Daniel, Cleci Silveira, Daniel de Sá, Diego Grando, Dilan D’Ornellas Camargo, Dom Midó das Dores, Eduardo Bettencourt Pinto, Eduardo Nasi, Elis Cruz, Fernando Guerreiro, Fernando Neubarth, Fernando Paixão, Fernando Rozano, Fernando Silva, Ferreira Gullar, Flávio José Cardozo, Francisco Cota Fagundes, Frank X. Gaspar, Gabriela Funk, Gabriela Silva, Gilberto Perin, Gonçalo M. Tavares, Helder Moura Pereira, Hoyêdo de Gouvêa Lins, Inês Dias, Inês Lourenço, Ítalo Ogliari, Ivette Brandalise, Ivo Machado, J. Michael Yates, Jacinto Lucas Pires, Jaime Rocha, Jaime Vaz Brasil, Jane Tutikian, João Almeida, João-Luís de Medeiros, Joel Neto, Jorge Adelar Finatto, Jorge Fazenda Lourenço, Jorge Gomes Miranda, Jorge Louraço Figueira, José Agostinho Baptista, José de Sainz-Trueva, José Eduardo Degrazia, José Luís Hopffer Almada, José Luís Tavares, José Maria Carreiro, José Miguel Silva, José Viale Moutinho, Juan Carlos de Sancho, Judite Jorge, Júlio de Queiroz, Laerte Silva, Laís Chaffe, Leatrice Moellmann, Lélia Nunes, Leonardo Brasiliense, Lúcia Helena Marques Ribeiro, Luciana Veiga, Luis Carlos Patraquim, Luís Dill, Luís Filipe Borges, Luiz Antonio de Assis Brasil, Luiz Paulo Faccioli, Maicon Tenfen, Manuel de Freitas, Marcela Costa, Marcelo Passamai, Marcelo Spalding, Maria Aurora Carvalho Homem, Maria João Cantinho, Maria José Marques Figueiredo, Mariana Matos, Marie-Amélie Robilliard, Mário Cabral, Mário Lúcio Sousa, Mario Pirata, Marô (Maria Eunice) G. Barbieri, Monique Revillion, Nelson Saúte, Nuno Costa Santos, Nuno Moura, Olsen Jr., Onésimo Teotónio Almeida, Osmar Pisani, Paulo da Costa Domingos, Pedro Eiras, Pedro Fevereiro, Pedro Javier C. Garcia, Pedro Stiehl, Renata Correia Botelho, Renato Tapado, Ricardo Silvestrin, Rodrigo de Haro, Roger Cardús Juvé, Rogerio Manjate, Rogério Sousa, Rubem Penz, Rubens da Cunha, Rui Pires Cabral, Rui Sousa, Salomão Ribas Jr, Semy Braga, Sergio da Costa Ramos, Sidónio Bettencourt, Silveira de Souza, Sílvia Pinto Ferreira, Silvina Rodrigues Lopes, Sónia Bettencourt, Sulivan Bressan, Suzana Mafra, Tiago de Faria, Tiago Prenda Rodrigues, Tiago Rodrigues, Urbano Bettencourt, Valério Romão, Valesca de Assis, Vamberto Freitas, Victor Rui Dores, Vinícius Alves, Vítor Nogueira, Volnyr Santos, Walter Galvani e Zenilda Nunes Lins.

 

26/12/2011

QUANDO A ESTUPIDEZ ANDA À SOLTA

por cam

Perto do final do ano, como agora, costumo fazer planos para “furar” no ano que virá. Hoje, ocorreu-me que no passado também fiz projectos igualmente “furados”, estes não por mim, mas por terceiros, quantas vezes maldosamente – ou por simples estupidez e ignorância. É o caso, que inclui todos os epítetos descritos, dos Cadernos SIBIL, das Lajes do Pico. Enquanto trabalhei na Câmara, como coordenador da área cultural, criei alguns projectos editoriais. Este, o dos Cadernos SIBIL, fi-lo em colaboração com o José Augusto Soares. Os Cadernos eram dedicados à cultura baleeira e à biologia e ecologia dos grandes cetáceos, e era publicado sobre a égide do Centro de Artes e de Ciências do Mar, que concebi e instalei, na recuperada fábrica da baleia SIBIL (nome da sociedade antiga proprietária da fábrica de transformação de produtos do cachalote). Saiu em 2007 o primeiro e último número.

Direcção de Carlos Alberto Machado e José Augusto Soares

 

%d bloggers like this: