Posts tagged ‘Sósias & Duplos’

16/05/2011

AUTO-PUNIÇÃO

por cam

«Esta notícia merece ser lida e transcrita: o secretário-geral da OCDE a falar para um canal televisivo CNBC (ou seja, algo distante de Portugal e da sua companha eleitoral), distingue as causas das dívidas da Irlanda, da Grécia e de Portugal. Da dívida portuguesa diz, realço, “é sobretudo um problema político auto-infligido”: “Em entrevista ao canal televisivo norte-americano CNBC, Angel Gurría afirmou que a Europa não tem um problema generalizado de dívida. “Tem, sim, um problema grego que tem a ver com a performance fiscal, e um problema irlandês que tem a ver com a falência da banca”. Depois, continou Gurría, a Europa “tem um problema mais recente, auto-infligido, no caso de Portugal”. “As dificuldades [destes três países] foram identificadas e precisamos de tempo para ver os progressos”, disse. Questionado sobre a hipótese de reestruturação da dívida dos Estados-membros da União Europeia que solicitaram ajuda financeira, o secretário-geral da OCDE afirmou que só no final dos programas de ajuda será possível perceber se é um recurso a ter em conta. “Não podemos concluir hoje que a forma de seguir é a reestruturação da dúvida porque ao precipitar as coisas, o cenário pode tornar-se pior”, defendeu. Gurría repetiu que as reformas “precisam de tempo” para resultar. “Quando partimos de défices de 15 por cento, há sempre um ou dois por cento que ficam de fora e não foram considerados. É uma descida desde o Monte Everest. E nós estamos a normalizar a situação”, disse. “No caso de Portugal é sobretudo um problema político auto-infligido”, destacou.” – transcrevo do jornal Público. Entretanto em Portugal o actual primeiro-ministro, o comandante desta auto-punição, governante em 14 dos últimos 16 anos, diz que o seu principal rival não está “preparado”. Não tem estaleca, dir-se-á, para tamanha auto-flagelação? No mesmo país uma corja de gente concorda e apoia o pelos vistos “muito bem preparado” José Sócrates. O país das competências … No tempo da I República, quando não havia dinheiro alemão (e finlandês) para financiar estas competências tão bem preparadas, e todas estes desgovernos, estas coisas resolviam-se à bomba, aos tiros, em golpes de Estado, em assassinatos. Agora a gente insulta-se nos blogs. Chama-se a isso “zona euro”. O progresso.»

Retirado daqui, com a devida vénia.

27/04/2011

O PIOR CÉSAR…

por cam

   O PIOR CÉSAR, PERDÃO, CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER…

«César desvaloriza polémica de Ricardo Rodrigues

O processo judicial associado ao agora cabeça de lista do Partido Socialista dos Açores não preocupa o Presidente do Governo Regional, que afirma “não haver nenhuma relação” com as legislativas.»

«Carlos César desvalorizou ontem o envolvimento do cabeça de lista do partido, Ricardo Rodrigues, num processo judicial sobre atentado à liberdade de imprensa, considerando que não terá influência na votação de cinco de Junho, afirmando que “não vejo nenhuma relação com isso”. Esta declaração veio na sequência das perguntas dos jornalistas em Ponta Delgada, que o questionavam se não receava alguma penalização eleitoral pela escolha de Ricardo Rodrigues como cabeça de lista pelo círculo dos Açores.Nas declarações que prestou no Tribunal de Ponta Delgada depois de ter entregue a lista de candidatos socialistas à Assembleia da República, o líder do PS/Açores salientou que o que está em causa é a eleição de “candidatos para defender os Açores que tenham a coragem de o fazer em qualquer circunstância, seja quem for o primeiro-ministro”. Ricardo Rodrigues, que também estava presente na entrega da lista candidata às legislativas pelo círculo dos Açores, recusou prestar qualquer declaração aos jornalistas.»

JornalDiario  |  2011-04-27 09:00:00

 

16/04/2011

«INSANAS CONFISSÕES»

por cam

 

Henrique Monteiro (Expresso)

 

Henrique Monteiro (jornal Expresso, 0:00 Sábado, 16 de Abril de 2011):

«Acho que foi no fim-de-semana, ao ver o Congresso do PS, que enlouqueci. A vida tornou-se-me mais fácil com esta singela constatação. Afinal, o que se passa no país é simples de compreender… Fomos sempre bem governados. Estávamos num caminho fantástico (TGV, novo aeroporto, auto-estradas à borla, etc.) até que houve uma crise nos EUA. A partir daí a coisa tremeu um pouco, mas como a nossa economia era sólida resistiu melhor do que as outras. O problema foi que começou o ataque ao euro e o mau feitio das agências de rating, mas nós estávamos firmes. A Grécia, esses aldrabões de contas, e a Irlanda, país de neo-liberais, é que não se aguentaram. Mas nós, oh, nós estávamos como uma rocha. Fizemos dois ou três PEC e pronto, a coisa resolveu-se a contento. Só que houve qualquer coisa nas contas europeias e os nossos défices aumentaram todos – o de 2010 em três mil milhões. No entanto, em 2011 estávamos numa trajectória magnífica! Até que, perante ataques terríveis, tivemos de apresentar um PEC a Bruxelas que tinha uns pequenos contratempos, cortes nas pensões miseráveis e assim.  Nada que fosse para este ano, claro! A oposição – oportunistas! – chumbou o PEC no Parlamento e pimba! – ficámos sem dinheiro de um mês para o outro. Nem para salários da tropa há graveto.

Mas há um homem que nos vai salvar. Lá no Congresso do PS disse tudo por tudo. Vai apresentar como programa de Governo o PEC 4 e os socialistas bateram palmas. Gente que eu respeito há 20 ou 30 anos – Ferro Rodrigues, António Vitorino, António Costa – dizem que sim, aplaudem, colaboram e apoiam esta solução milagrosa que nos voltará a colocar bom caminho em que estávamos.

Ainda pus a hipótese de todos eles estarem doidos, mas é mais simples o doido ser eu.

E, já agora que sou doido, uma palavra para saudar a adesão do PSD às mentirolas, e outra para Cavaco: Senhor Presidente, que grande trabalho Vexa. tem feito! Que magistratura!

Se este estado de insanidade não passar, vou pedir esmola para a rua e aproveitar para discutir com todos os que ma quiserem dar. Como é próprio dos loucos, cantarei uma canção. É do José Mário Branco, mas não é o FMI. Esta é assim: “Entre a rua e o país  /  vai o passo de um anão  /  Vai o rei que ninguém quis  /  vai o tiro de um canhão  /  e o trono é do charlatão”,»

14/04/2011

A CONSCIÊNCIA ERA VERDE E O BURRO COMEU-A

por cam

Sósias, duplos & espelhos multiplicam-se no país como uma epidemia. Alguns, interiormente, espalhando ódios e rancores em metástase; outros, apenas, inconscientemente, contentinhos e sorridentes.

A mimese, em si mesma, não é desprezível. Os nossos (quer humanos, quer animais) primeiros processos de crescimento e de aprendizagem, fazem-se justamente por mimese, física e comportamental. No teatro, um dos elementos fundamentais é também a mimese – Aristóteles e outros gregos ilustres de há cerca de 2.500 anos sabiam-no bem.

Quando somos adultos, evitamos a cópia – podemos dizer assim. A não ser por um défice de personalidade. Metaforizando, pode ir-se mais longe, e estender esse processo a outras zonas bem abaixo da superfície das coisas, dos acontecimentos e dos seres.

Algumas pessoas admiram secretamente os censores de opinião de há muito, bem como torcionários e carrascos. Voluntariamente, ou beneficiados pelos acasos da vida, arranjam emprego em “inspecções” disto e daquilo e, mesmo contrariando as suas filiações (partidárias, etc.), logo que podem travestem-se de censores moralistas e, por exemplo, num “relatório de inspecção”, peroram, impunemente, sobre ética, em absurdas “condenações” dos cidadãos incautos e indefesos. Ninguém lhes encomenda o sermão, fazem-no porque simplesmente não resistem ao inquisitorial apelo arcaico. Mas, mesmo que apenas travestidos, não deixam de ser perigosos. E a piorar as coisas, somos nós, todos, que alimentamos (com os impostos e com o nosso silêncio) estes senhores que apimentam em demasia a nossa já por si pouco saudável dieta democrática. “A consciência era verde e um burro comeu-a.”

Outros imitadores igualmente travestidos em arautos de pugnas éticas, enxameiam serviços públicos. Imitam bufos e pides de outrora, “amandam” afixar em português rançoso, em “locais de estilo” (!) proibições disto e daquilo; zelam, zurrando, sobre fórmulas burocráticas que impedem os cidadãos de tudo e mais alguma coisa – e nós, ainda com o lastro de servitude salazarenta, dobramos a cerviz, “admitimos”, “quem sabe se não vamos precisar da senhora para qualquer favorzinho, desenrascar uma licença…”. Pois…

O “Chefe” santacombadiano persegue-nos em mesas de pé-de-galo do quotidiano. O senhor primeiro-minitro traveste-se de ditador (“das Beiras”, como diz o Vasco Pulido Valente). Arrasta consigo uma pequena plêiade de sósias e de duplos, imitadores de quinquilharia, tiranetes de feira sem eira nem beira, volúveis, sem peso nem espessura: quando o “chefe” cair, com peso e estrondo, deles não se ouvirá sequer um suspiro de esvaimento – um duplo acaba sem fragor quando o original morre. Por enquanto, a matilha de imitadores vai repetindo frases feitas, ênfases e olhares, trejeitos – quando se enganam, porque o processo mimético encalha nas dobras da memória, rebobinam e continuam, impávidos e serenos. Um duplo nunca fraqueja, apenas pode ter defeito de fabrico. Nestes casos, substituem-se. Mas nós, contribuintes, pagamos sempre a nova peça, porque estes sujeitinhos não têm prazo de garantia contra defeitos de fabrico.

10/04/2011

VÃ GLÓRIA

por cam

«Tão-pouco se poderá chamar virtude massacrar os seus cidadãos, trair os amigos, não ter palavra, nem piedade, nem religião, meios este pelos quais se pode conquistar o comando mas não a glória.»

Maquiavel, O Príncipe (VI)

09/04/2011

«LOSANGO HEXAGONAL»

por cam

Leio O Ensino do Português, de Maria do Carmo Vieira e fico aterrado. Leiam, por favor, a edição, de 2010, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, sabiamente dirigida por António Barreto. E leiam também, por favor, o indignado artigo de Francisco José Viegas, sobre as questões suscitadas pelo conteúdo do livro, na revista Ler de Novembro do ano passado. Leiam, por favor – embora só possa fazer este apelo a quem aprendeu português pela literatura portuguesa e pela gramática, e não a quem “aprendeu” por TLEBS & quejandos e por uns sucedâneos de literatura, como, por exemplo, “atestados médicos”, “instruções de electrodomésticos”, “horóscopos” & etc…

Em Portugal, instalou-se (para durar? ai…) a cultura do facilitismo – a “malta” morre, meu, ‘bora gozar, já! Os exemplos vêm do alto. José Sócrates, Armando Vara e tantos outros, pediram a uns amigalhaços das “universidades” que lhes “facilitassem” uns cursos superiores, é chato não poder ser tratado por doutor-engenheiro-arquitecto-Professor. E lá estão eles.

No Ministério da “Educação”, mandam imperialmente uns senhores e umas senhoras da pedagogia e da linguística, que são os culpados – “culpados”, e não “responsáveis” – por este triste e grave estado de coisas. Na universidade onde fui professor, lutei contra situações que identifiquei como o resultado de mais de duas décadas de destruição sistemática da capacidade crítica de jovens, da ditadura do fácil e do que não é “chato”. Tive colegas dos departamentos de psicologia e de pedagogia que teimavam em aumentar a carga horária das disciplinas de pedagogia nos cursos artísticos, e – o pacote integra outras “maldades” – a “ludicidade” na transmissão do saber. Colegas de teatro, por exemplo, clamavam contra a demasiada “teoria”, os alunos “não aguentavam”, berravam eles, além de que era preciso “prepará-los para o mercado de trabalho”. “Ó colega”, disse eu, em reunião de Conselho de Artes (!), “explica lá como é que se faz, por exemplo, com a História do Teatro Português?”. “É muito simples”, retorquiu o colega, “preparamos umas cenas com os alunos e fazemos um percurso rápido desde as origens aos nossos dias, coisa aí para uma hora, e ficamos assim com o resto do ano livre para as disciplinas práticas.” Alguns de nós embasbacaram… Era impossível explicar a professores, um deles professor doutor, a cor da lama onde intelectualmente chafurdavam. Perante o nosso silêncio, exclamou, vitorioso, o mais novo: “Estão a ver como é simples?” Porreiro, pá…

“Verbos incoativos são os verbos derivados intransitivos, parafraseáveis pela expressão «tornar-se ADJ/N» ou «N» a forma derivante.” Isto, é: verbos intransitivos, antigamente… O Ministério da “Educação”, por um lado, “simplex”, por outro, “complex”: é “chato”, não se lê, não se estuda; a gramática, empestada de linguística, evita que se perceba o funcionamento da língua. O que dá coisas como estas, de alunos universitários: “No dia em que marca-mos”, “tenho hoje grassas à minha mulher”, “facha etária”, “não está assecível”, e, como variantes do losango, “losângulo, losângolo, losangulo, losangolo”; ou, no âmbito da geometria, um aluno que “descobriu” um “losango hexagonal”…

E não se podem incriminar os culpados disto?

31/03/2011

O “GOLPE DE SÓCRATES”

por cam

De o Público de hoje:

ANTÓNIO BARRETO: CRISE POLÍTICA É “GOLPE” DE SÓCRATES PARA SE VITIMIZAR

O sociólogo António Barreto afirmou que a demissão do Governo foi um “golpe” do primeiro-ministro José Sócrates para provocar eleições, vitimizar-se e que isso aumenta as dificuldades para Portugal se financiar nos mercados.

“Estamos a pedir em más condições, depois de um golpe de Sócrates que provocou eleições para tentar continuar no deslize e no agravamento em que estávamos”, afirmou Barreto (Adriano Miranda)

“Estamos a pedir em más condições, depois de um golpe de Sócrates que provocou eleições para tentar continuar no deslize e no agravamento em que estávamos”, afirmou Barreto, que preside à Fundação Francisco Manuel dos Santos, em declarações à Lusa, à margem do lançamento do livro de Vítor Bento, “Economia, Moral e Política”.
António Barreto acrescentou ainda que o momento actual do país “corresponde à ideia do primeiro-ministro, de provocar uma crise na qual ele possa, eventualmente, passar por vítima”.
O Presidente da República ouve hoje o Conselho de Estado, numa reunião que tem como único ponto “pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República”, no quadro da crise política que se seguiu à demissão, há uma semana, do primeiro-ministro.
O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos acusou ainda José Sócrates de “caluniar” as entidades internacionais “a quem pede ajuda” e de “caluniar os credores” depois de pedir empréstimos.
“Esta duplicidade é um péssimo sinal para o exterior”, acrescentou António Barreto, referindo que, se Portugal tivesse pedido ajuda externa há mais de um ano, teria estado em melhores condições para o fazer, e em melhores condições para cumprir eventuais programas de reformas económicas.
Os juros exigidos pelos investidores no mercado secundário para deter títulos de dívida soberana portuguesa a dois anos superaram hoje o preço da dívida a dez anos, pela primeira vez desde 2006.
A ‘yield’ (remuneração total) exigida no mercado para comprar dívida a dois anos atingiu os 8,17 por cento, acima dos 8,092 por cento cobrados pela dívida a 10 anos, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg.
“Agora estamos em situação praticamente desesperada”, disse ainda o sociólogo, que insistiu na necessidade de realizar uma auditoria às contas públicas.
“Se não se realizarem auditorias, há dois problemas. O primeiro é que damos mais um sinal negativo ao exterior, isto é, que temos algo a esconder. Em segundo lugar, perante o eleitorado português, perante os cidadãos, é um factor de deslealdade inadmissível”, concluiu António Barreto.

António Barreto: "Golpe" de Sócrates

%d bloggers like this: