Archive for ‘Miguel-Manso’

02/08/2013

Poesia, um dia

por cam

Poesia um dia _Programa-1

Poesia um dia _Programa-2

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14/12/2012

10 + 10 de 2012

por cam

Neste ano que está quase a acabar li umas boas dezenas de livros, embora a maior parte deles editados em outros anos. Para partilhar, mas também para minha própria memória, eia uma lista de livros que mais me tocaram (excluo os 11 livros editados na Companhia das Ilhas): 10 de 2012 e 10 de outros anos, mas lidos, relidos, em 2012 (ordem alfabética de nome de autor).

» 10 de 2012

Fraga da Silva, A besta, Direcção Regional de Cultura dos Açores (novela)

Inês Fonseca Santos, As coisas, abysmo (poesia)

Inês Lourenço, Câmara escura, Língua Morta (poesia)

Miguel-Manso, Um lugar a menos, ed. autor (poesia)

Nuno Dempster, Elegias de Cronos, artefacto (poesia)

Nuno Moura, Prémio Nacional de Poesia, MiaSoave (poesia)

Primo Levi e Tullio Regge, Diálogo sobre a ciência e os homens, Gradiva (ensaio em forma de conversa?)

R. Lino, Predação: urânia, nós e as musas, ed. autora (poesia)

Rui Almeida, Caderno de Milfontes, Volta d’Mar (poesia)

Valério Romão, Autismo, abysmo (romance)

 » 10 de outros anos

Camilo Castelo Branco, Mistérios de Lisboa (romance)

Charles Dickens, Os Cadernos de Pickwick (romance)

Claudio Magris, Danúbio (romance, livro de viagem, ensaio…)

David Lodge, A consciência e o romance (ensaio)

Eduarda Dionísio, As histórias não têm fim, Cotovia (romance)

Helder Moura Pereira, Se as coisas não fossem o que são (poesia)

João Miguel Fernandes Jorge, Lagoeiros (poesia)

João Paulo Cotrim e António Cabrita com ilustrações João Fazenda, O branco das sombras chinesas, abysmo (novela)

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa (poesia)

Rui Tavares, O grande terramoto (história)

08/06/2012

“HERMENÁUTICA”

por cam

Este novo livro do Miguel-Manso (“ribatejano no sentido Alberto Caeiro do termo”) pode ser muitas coisas: uma arte poética, um exorcismo da paisagem, “livro-paisagem com autor a escorregar – locus horrendus – nas tendências perigosas da autobibliografia”, livro de magia, uma “hermenáutica”, um desagravo de jovem poeta, rol de palavras de uso raro. De qualquer modo é um livro sério, com bom humor – “A ornitologia é uma ontologia que ri”.

Começar pelo princípio ou pelo fim? Tanto faz –

no princípio – primeira de “53 presenças” –, abre-se o alçapão, um buraco, uma ausência, um nada. Não interessa, “pões o braço lá dentro.” É simples: nada há a retirar, mas sim a preencher – pensas, mas pensas errado, o que acontece é que ficas com “um lugar a menos”, ou seja, aquilo que entra no nada torna-se presença, ela mesmo de natureza de ser alçapão, buraco… Confuso? Nem por isso, “Lógica e mística dar-te-ão a logística com que atravessarás os entraves todos” –

“Desaparecem fim, meio e começo, e da construção restará, sem penas, o empenho deambular de não edificar: Escreve-se o livro como quem cita um texto obsceno.” –

no fim (quase), mas também presente por todo o livro em diferentes formulações, a ontologia da poesia, sem anagramas, a busca, a impossibilidade mas também a crença: “Só um remoto dizer, ainda que pré-gutural, ressume no vento da potência. O tempo que demora percorrer a ideia de começo é já muito tarde. Enquanto na origem se prepara e atavia o mundo, já tudo resultou daí em não poder. Escrever é viver entre os mortos. Porque só entre os mortos poderás aproximar a mão do berço.” –

o que poderá haver de mais pasmoso num livro do que o prazer da deambulação entre coisas e os seus contrários? “Diagnóstico: sofres de Hermes labial”.

“Poesia em estado bravio há.” Mas o poema “terá de encontrar a voltagem exacta” para encontrar a pequena parcela que o redima do “corrupto agregado literário”. “O primeiro problema dos poetas começa por ser uma dificuldade de artesanato, de técnica, de oficina. E os cantos mais belos estão ainda à espera de ser cantados” – cita Walt Whitman (apenas com as iniciais WW). O poeta “Aquieta o coração para fluviar à bolina do dia”, acho que é o que ele faz melhor – e nós também –

resta “XIV” [“Retiradas”], a “Umbra et Cataracta”. “Lugar ameno” – uma fotografia (não identificada) de um homem velho, deitado numa cama, com os olhos vendados, repete-se por 7 vezes, cada uma delas com a legenda numa língua diferente. Antes, no fragmento 48: “Eloquente ablepsia [cegueira] olhadora em estado de vazio, a leitura progride sempre no sentido de deslembrar” –

este livro que pode ser muitas coisas, digamos, de poesia, é, diz o Miguel, um livro pop, que “não é sinónimo inflexível de regalo, logro e comércio”, “Bardos de medíocre obscuridade já temos barda.” Um “jovem autor” sobre quem se entoaram “excessivas loas aos resultado dos seus primeiros trabalhos”, deve passar “por isso inalterado”, recorrendo a sangrias, onde, para além da lanceta, “é habitual recorrer-se a sanguessugas. O autor deixa à mostra um pedaço de si que acumulou mais matéria e elas vêm alimentar-se”.

E fico-me por aqui, e peço-te, Miguel, “perdoa (…) a quem te tem, oh, fendido; e livra-te [me] do bem”.

(ah: o livro chama-se “Um lugar a menos” e é edição de autor, da série pessoal “Os carimbos de Gent”, Lisboa, 2012, encomendas para oscarimbosdegent@gmail.com).

10/05/2012

ACONCHEGOS

por cam

Em ilhas que são desertos de livrarias, e em tempo chuvoso, sabe bem receber livros de amigos.

Ontem e hoje, foram: cerca de 20 obras da editora Sempre-em-Pé, de que deixo aqui a foto de Instrumentos de Sopro, de Ruy Ventura. De outros amigos: Ensinar Caminho ao Diabo e Um Lugar a Menos, do Miguel-Manso (ed. autor). E de João Borges da Cunha e Jorge Fazenda Lourenço: Corpo Arquitectura Poema. Leituras inter-artes na poesia de Jorge de Sena (Assírio & Alvim).

Junto o Já Não Vem Ninguém, do Sidónio Bettencourt (Veraçor), que veio em outra leva de ofertas mas que ainda não tive oportunidade de ler, e por isso se junta a estes.

O monte cresce…

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