Archive for ‘PORTUGAL’

16/08/2013

Entrevista dada a António Rodrigues (Ípsilon)

por cam

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Ípsilon, Sexta-Feira 16 de Agosto de 2013.

 

 

 

 

16/08/2013

Ípsilon: crítica a Hipopótamos

por cam

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Ípsilon, Sexta-Feira 16 de Agosto de 2013.

 

 

03/02/2012

“ENGENHEIROS DE ALMAS”

por cam

Terminei há dias a leitura de Os Engenheiros de Almas – O Partido Comunista e os Intelectuais (Editorial Estampa, 1996)*, do historiador João Madeira. Tinha feito uma primeira leitura, incompleta, quando, em 1997, estava a escrever a minha tese de mestrado (sobre o Teatro da Cornucópia e a crítica, editora frenesi, 1999). A investigação de J. Madeira cobre fundamentalmente o período 1930-1960, baseada em fontes judiciais, depoimentos escritos e imprensa clandestina. O autor não se coíbe de juntar à configuração histórica uma interpretação de natureza sociológica. Embora este desiderato não seja explícito, ele é inevitável, parece-me. Creio que deverá fazer par este trabalho com a biografia política de Cunhal, os três volumes de José Pacheco Pereira (editora Temas e Debates, 1999, 2001 e 2005), para quem deseje abordar este período da nossa história e de um dos seus protagonistas de fundo, o PCP.

Destaques, para mim: a impressão que fica de que o PCP e a PVDE/PIDE viveram em interdependência, o primeiro, no complexo processo da clandestinidade, a segunda, no não menos complexo trabalho de lhe dar luta, por vezes ao ponto de assimilar ou mimetizar alguns dos seus processos. Por outro lado, em muitos momentos da sua história, o PCP parece viver a sobrevalorizar os mecanismos (lúdicos) da fuga. É evidente que isto não será a visão mais “correcta”, sobretudo porque no caso dos comunistas teve consequência trágicas, incluindo a prisão prolongada e a morte de muitos dos homens e mulheres que se entregaram com espírito de missão à luta contra aquilo que consideravam não dever existir em Portugal e num mundo dividido entre exploradores e explorados. Todavia, a própria luta interna no PCP, bem documentada em ambas as obras, mostra também que o fechamento ideológico e organizacional, impediu outras saídas políticas e, por isso, foi motivo de longas e dolorosas querelas com outros antifascistas, visíveis em especial nos processos de constituição e acção de movimentos “unitários” e nos processos eleitorais, em particular no do general Humberto Delgado.

Álvaro Cunhal é a figura omnipotente e omnipresente em tudo isto. Genial e implacável talvez possam ser epítetos em relevo, quer na sua vida pessoal, quer partidária e ideológica. As mais de duas mil páginas que até ao momento Pacheco Pereira lhe dedicou escalpelizam o seu percurso, de forma quase obsessiva, e, em vários sentidos, “presentificam-no”.

O que é impressionante nesta parte da lusa história, é que todas as teses de Cunhal/PCP nunca se concretizaram, em especial a mais importante delas, a da “revolução democrática nacional”, que substituiu a tese do “levantamento popular”, que por sua vez substituiu a da “sublevação popular armada”… O 25 de Abril foi para o PCP, mas apenas para ele, a concretização desse objectivo. Mas só para o PCP, pois, em boa verdade, o 25 de Abril foi mais um golpe (bem sucedido) militar, na boa linha putschista que já vem da revolução liberal de oitocentos e que depois teve dois momentos maiores, o 5 de Outubro de 1910 e o 28 de Maio de 1926. Esse lado “interruptor” foi de consequências bem negativas e de que talvez não tenhamos ainda plena consciência. E nunca nos livrámos disso. Hoje, com outros protagonistas, continua a fazer “estragos”. Seria bom que “trocássemos umas ideias sobre o assunto”…

*= A expressão “engenheiros de almas” foi cunhada por Stalin para se referir à função social dos escritores.

27/01/2012

ATÉ À VITÓRIA FINAL!

por cam

Em 1999, José Pacheco Pereira iniciou a publicação de uma biografia política de Álvaro Cunhal. Continuou, em 2001 e em 2005. Os três volumes totalizam 2.117 páginas. Cronologicamente, o volume terceiro terminou no ano de 1960, e Pacheco Pereira já anunciou que este ano publicará o quarto e último volume, dedicado, depreende-se, ao período que decorre desde a saída da prisão até ao final da vida do dirigente comunista, que ocorreu em 13 de Junho de 2005.

Só nestas últimas semanas me dediquei a ler a obra. Já outros o disseram: o trabalho de Pacheco Pereira é monumental, rigoroso, minucioso, sério, etc., etc. Toma como centro vital o militante e dirigente comunista Álvaro Cunhal, nas suas diferentes facetas, mas é sobretudo uma história do PCP e da oposição política ao regime de Salazar (o que está publicado, o que vier, será, naturalmente, da oposição ao regime liderado por Caetano). Não apenas a história do PCP mas de todos – indivíduos e grupos – os que tiveram presença e voz na maior parte da nossa vida no século XX. Um panorama impressivo e impressionante deste tempo. Isto que digo não é novidade, mas creio que nunca será demais repeti-lo.

A biografia política de Álvaro Cunhal feita por Pacheco Pereira tem tido a companhia de inúmeras investigações históricas (e não só) que revisitam o nosso passado desde, principalmente, a revolução liberal de oitocentos até aos nossos dias, a par de outras que abrangem outros períodos, mesmo de maior amplitude, como são as várias histórias de Portugal recentemente publicadas ou em vias disso. Significa isto que temos cada vez menos desculpas para continuarmos levianamente acomodados sobre ideias feitas acerca de nós – Portugueses coisa e tal, a maioria das vezes vilipendiados. São pontos de vista historiograficamente distintos, por diversas razões, mas une-os a necessidade de olhar para nós como povo, nação, o que quer que seja, sem pontos de partida condicionados ou, sendo-o, mostrados às claras. Com a frontalidade de estudar a vida e obra de um Salazar ou de um Cunhal por pessoas que declaradamente não estão do lado da simpatia, ou se estão nas tintas para isso.

Hoje, ler e estudar de novo a nossa história sem ideias preconcebidas é, creio, um exercício fundamental de cidadania.

Mas eu queria era falar do livro do Pacheco Pereira. Há nele muitas, muitas coisas sobre que reflectir, mas, por agora, limito-me a uma delas: na vida do PCP, e dos seus principais dirigentes, foi predominante, a par de um genuíno espírito de missão em defesa dos mais desprotegidos socialmente, um desfasamento essencial com a realidade e, por coerência, sucessivos e repentinos volte-faces, uma estratégia para fazer das derrotas vitórias, das inimizades amizades, etc. Quando não era a realidade que se enganava, dizia-se que afinal “nós já o tínhamos dito, feito”, etc. Num período mais próximo de nós, Álvaro Cunhal transformou um golpe militar bem sucedido numa “revolução democrática e nacional”. E o pior é que isto não se pode colocar sob o chapéu do tacticismo, não, tem raízes profundas, é uma maneira de ser, um estado de espírito, conceitos ideológicos arreigados até ao apodrecimento. E o livro de Pacheco Pereira tem, entre muitos outros méritos, o de nos fornecer farto material de reflexão sobre isto.   

31/12/2011

12 LIVROS

por cam

Desde Outubro de 2007 anoto os livros que leio. Este ano, registei 60, de diferentes dimensões e tempos de leitura – e de diferentes anos de edição (alguns deles em releitura). Deixo aqui a lista das 12 preferências, por ordem alfabética do nome do autor/organizador:

» António Cabrita e João Paulo Cotrim, O Branco das Sombras Chinesas, Abysmo (2011)

» Armando Silva Carvalho, Anthero, a Areia e a Água, Assírio & Alvim (2010)

» Ascêncio de Freitas, A Paz Adormecida, Caminho (2003)

» Ernst Gellner, Linguagem e Solidão. Uma interpretação do Pensamento de Wittgenstein e Malinowski, Edições 70 (2001)

» Fernando Rosas e Maria Fernanda Rolo, (orgs.), História da Primeira República, Tinta da China (2010)

» José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política, Temas e Debates (3 vols: 1999, 2001 e 2005)

» Manuel de Freitas, A Perspectiva da Morte. 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX, Assírio & Alvim (2009)

» Miguel Morgado, Autoridade, Fundação Francisco Manuel dos Santos (2010)

» Natália Correia (org.), Antologia de Poesia Erótica e Satírica, frenesi/Antígona (1999, 1ª ed: 1965)

» Rui Ramos (coord.), Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal, A Esfera dos Livros (2010, 4ª ed.)

» Thomas Pynchon, Vício Intrínseco, Dom Quixote (2010)

» Vitorino Nemésio, O Corsário das Ilhas, IN-CM (1998)

"Respiro", ensaio de António Cabrita, nas edições Língua Morta, Novembro de 2011

14/04/2011

FORTE DE SANTA CATARINA

por cam

Forte de Santa Catarina (foto: PNS)

O Forte de Santa Catarina, nas Lajes do Pico, ganhou um PRÉMIO NACIONAL DE ARQUITECTURA PAISAGISTA 2011, na sub-Categoria de Desenho Urbano. A obra teve a seguinte Equipa Projectista:

Arquitectura Paisagista: Luís Cabral, Vasco Costa Simões (ARPAS – Arquitectos Paisagistas Associados); Arquitectura: Rui Pinto e Ana Teresa Robalo (RPAR Arquitectos); Engenharias: Francisco Salpico, Nelson Capote e José Rosendo

Câmara Municipal das Lajes do Pico.

O Projecto de recuperação do Forte de Santa Catarina foi concebido e realizado entre 2005 e 2007, para abrigar um Posto de Turismo e uma Zona de Lazer. Era então Presidente da Autarquia, Sara Santos (entre 2004 e 2009). Foi igualmente no seu mandato que foi recuperada a antiga fábrica da baleia SIBIL, transformada então em Centro de Artes e de Ciências do Mar, e que igualmente ganhou um prémio nacional, este de Turismo, atribuído em 2008.

Centro de Artes e de Ciências do Mar (foto: PNS)

23/03/2011

BRANDOS COSTUMES

por cam

Fui ver o meu antigo blogue (Campo de Afectos). Foi de lá que retirei esta pérola literária e sociológica, postada em 12 de Julho de 2003:

Um amigo enviou-me por e-mail o texto abaixo (obrigado, Hamilton!). Gostava que as nossas autoridades civis e religiosas o lessem e dele retirassem as devidas ilações, e não só, as devidas actualizações. A minha dúvida está em saber qual será o interlocutor certo: o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa? O Ministro de Estado e da Defesa? O Ministro da Administração Interna? A Provedora da Casa Pia de Lisboa? A Provedora da Santa Casa da Misericórdia? O Cardeal de Lisboa? O Presidente da República? O Presidente da Assembleia da República? O Vilhena? A Madre Teresa de Calcutá? A Nossa Senhora de Fátima? O Pinto da Costa? O Vale e Azevedo? O Bibi? Eles todos? HELP ME!

«Verificando-se o aumento de actos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se vêm verificando nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros, determina-se à Polícia e Guardas Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes. Assim, e em aditamento àquela Postura nº 69.035, estabelece-se e determina-se que o artº 48º tenha o cumprimento seguinte: 1º – Mão na mão (2$50); 2º – Mão naquilo (18$00); 3º – Aquilo na mão (30$00); 4º – Aquilo naquilo (50$00); 5º – Aquilo atrás daquilo (100$00). Parágrafo Único – Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.»

(Câmara Municipal de Lisboa, Portaria de 1953)

17/03/2011

RELATO DE UM PAÍS INCULTO

por cam

Com a devida vénia, transcrevo o texto de Francisco Valente, do seu blogue Da Casa Amarela:

«Um dia depois de ser comunicada a intenção do Governo de baixar a taxa do IVA dos campos de golfe de 23% para 6%, decisão essa comunicada pela televisão pública, em imagens, como uma descida da taxa aplicada nos carros Volkswagen Golf, é comunicado, pela Cinemateca Portuguesa, o cancelamento de 13 sessões já programadas deste mês sob o pretexto de cortes no seu financiamento decididos pelo Ministério das Finanças que impedem o transporte regular das películas, assim como a sua devida legendagem.

A mistura e o tratamento destes acontecimentos não é apenas reveladora de um país em crise financeira e em crise intelectual — a do tratamento das imagens, sensibilidade diária e sinal de inteligência que já não importa nem à primeira entidade responsável pela sua garantia, ou pelo menos, a mais vista. Trata-se, sobretudo, da prova definitiva que este Governo — e os sucessivos Governos compostos pela mesmíssima classe política que desgovernam o nosso país para o caminho da bancarrota e, sobretudo, da ignorância —, não se importa que a sua população vá jogar golfe com o pretexto de contribuir para uma cultura de lazer, mas já se importa que outra parte da sua população manifeste vontade de ir ver um filme de Godard, Antonioni ou Cimino para se enriquecer de outra forma — o enriquecimento cultural.
Esse enriquecimento é aquele que tem faltado de forma constante a quem nos governa e a quem é governado. Se o país se encontra na situação em que está, será, antes de mais, pela falta de educação e sensibilidade quando é chamado a tomar as decisões mais importantes do seu destino: a da gestão e do direccionamento dos seus recursos, assim como a promoção de uma política virada para um progresso mental e intelectual dos seus contribuintes, habitantes e criadores.
O facto que se chegue ao ponto de intervir no funcionamento regular de uma das poucas instituições que funciona de forma eficiente e transparente em Portugal — a Cinemateca Portuguesa — não é apenas sinal de uma total indiferença por esse mesmo caminho — ausente — que tem minado o desenvolvimento efectivo do nosso país. É a afirmação definitiva que, em tempos de crescimento ou de crise, este Governo, e outros, continuam a ver a cultura como uma soma de conteúdos, e não como sinal de uma riqueza tão indispensável como aquela que está dentro de cada uma das nossas carteiras. Mas Portugal, neste momento, não será mais do que isso nos seus pontos de responsabilidade: carteiras vazias para cabeças sem ideias ou educação. O facto de se censurar a cultivação da sua população e daquele que deveria ser visto como o regular — e essencial — serviço público revela-se tanto na incapacidade do seu órgão oficial de imagens (a RTP) em dar um tratamento devido do mundo que a rodeia, como no abismo final que nos retira, para além do bem-estar económico, o bem-estar cultural, último reduto da nossa vivência em sociedade, e que começa a marcar a vida do eterno e triste destino deste país.
A solução é apenas uma: terminar, de uma vez por todas, com a impunidade da incompetência que nos dirige e da insensibilidade para as áreas essenciais da nossa sobrevivência dentro e fora de uma crise: a educação e o conhecimento. A violência do fim das imagens não será menor do que a da falsificação dos seus significados, já indiferentes a uma população em crise de vida — consequência directa dessa mesma incompetência. Ficamos a saber: para a classe que nos dirige, mais vale ir apanhar bolas do que ver um Godard. Veremos quais das revoltas será a mais consequente, mas para isso, este Governo não saberá que a(s) história(s) das nossas imagens pairam sempre sobre os nossos falhanços.»
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