Archive for ‘LITERATURA-Moçambique’

16/08/2013

Entrevista dada a António Rodrigues (Ípsilon)

por cam

untitled

Ípsilon, Sexta-Feira 16 de Agosto de 2013.

 

 

 

 

Anúncios
16/08/2013

Ípsilon: crítica a Hipopótamos

por cam

untitled

Ípsilon, Sexta-Feira 16 de Agosto de 2013.

 

 

06/07/2012

PORTUGAL, A SÉRIO

por cam

Em 2010 tive a oportunidade de conhecer a Escola Portuguesa de Moçambique/Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM/CELP), em Maputo. É, a vários títulos, uma escola exemplar. Instalações amplas, arejadas e plenamente adequadas à sua missão de acolher e ensinar crianças e jovens na língua e cultura dos seus pais (ou daqueles que a elegeram com sua ou desejam que seja a dos seus descendentes). Portuguesa e moçambicana, sem sótãos de preconceitos – defendendo-se deles, que teimam em nunca acabar. Por lá fiz uma oficina de escrita do texto teatral, com um tema quente: a recente greve geral de 1 de Setembro contra o aumento do custo dos bens essenciais, com vários mortos e feridos entre o povo do “caniço”. Mas isto é outra estória, agora vou à dos livros.

Desta Escola têm saído, desde 2007, salvo erro, as caixas Acácia: em cada uma delas, quatro pequenos livros, com10,5x15cm, umas quarenta páginas, por vezes menos, por vezes um pouco mais, agrafados e colocados na caixa de cartolina. A Acácia tem direcção editorial do António Cabrita e coordenação da Teresa Noronha (EPM/CELP). É um projecto editorial deveras singular, desde logo por vir de uma instituição oficial (que em regra são pouco receptivas à erupção da literatura que não consta dos manuais do Ministério). O casal António/Teresa aposta na diversidade linguística, cultural, geracional. Vale a pena espreitar alguns exemplos: da pátria moçambicana, Armando Artur (nascido em 1962), Guilherme Ismael (1949-1994), João Paulo Borges Coelho (1955), Virgílio de Lemos (1929), Fernando Chiluvane (1982-2005); da pátria lusa, Carlos Alberto Machado, João Manuel Ribeiro, Matilde Ferreira Neves, Nicolau Saião, Nuno Dempster, Vergílio Alberto Vieira; do Brasil, Hilda Hilst, Nicodemos Sena, Renato Suttana; e ainda uma antologia de poesia de Charles Baudelaire, Pierre Reverdy, Giuseppe Ungaretti e Roberto Juarroz (refiro-me apenas às 4 caixas que tenho, das 7 publicadas).  

O diálogo intercultural e a lusofonia, que empapam tantas gargantas e quase nada concretizam, têm aqui um belíssimo exemplo a seguir. Fazer “lá”, mas também “cá”, transverter, miscigenar mas também singularizar, misturar mas também saber distinguir, porque, justamente, não somos todos iguais (ainda bem), somos diferentes e criamos os espaços de tolerância e generosidade que podem (ou não, nada obriga) criar, alargar espaços de mesmidade – que não servem, aliás, se não para fortalecer a alteridade.

Seja como for, estas precárias caixas Acácia brilham no “cimento” de Maputo, por vezes explodem, criam embaraços e engulhos, mas também acetinam mãos ásperas, limpam olhos com as águas tépidas do Índico. Eh pá, só dizes isso por amizade. É verdade – mas não é a verdade toda.

Saudades de Maputo…

20/05/2011

LUÍS CARLOS PATRAQUIM

por cam

Luís Carlos Patraquim (“Patrakas”) foi a Maputo lançar mais um livro Enganações de Boca (Alcance Editores, crónicas publicadas em Angolé, África Lusófona e Savana organizadas por Luís Cezerillo. A apresentação foi do António Cabrita.

Tirei a informação (com imagens) daqui.

(será que me vai chegar um exemplar de Moçambique?)

António Cabrita, Ídasse, Luís Carlos Patraquim e Naíta Ussene

14/03/2011

MOÇAMBIQUE, AINDA

por cam

 

Natureza morta, de José-Augusto França

Memórias em voo rasante, de Jacinto Veloso

Depois de ter estado quase dois meses em Moçambique e de ter escrito um romance de “temática luso-moçambicana” (à espera de resposta do editor…), continuo mergulhado na história e na literatura relacionáveis. Chegaram-me hoje pelos CTT Memórias em voo rasante, de Jacinto Veloso (Papa Letras, 2007) e o romance de José-Augusto França Natureza morta (IN-CM, 2005, 1ª ed. 1949). A juntar às dezenas amontoados em espera… (e também mais de duas centenas de textos em PDF, de vário interesse e dimensão!). O projecto que tenho entre mãos, ainda muito embrionário, tem como focos o aventureiro inglês William Bolts, que ao serviço da Imperatriz Teresa (Habsburgos) cria em Lourenço Marques (Delagoa Bay) uma feitoria comercial nos finais do século XVIII, e do seu Residente aí, o francês André Pollet. Este, casa em Lisboa com uma portuguesa. Na mesma altura em que se lutava (e matava), pelo marfim em terras “portuguesas” da África Oriental, a Europa andava a pensar o homem e a humanidade com novas ideias (Diderot, Voltaire, Rousseau, Locke, Espinosa, Montesquieu, etc.) e a primeira grande revolução moderna estava às portas, de França – pouco tempo antes do terramoto de Lisboa de 1755.

Por aqui me encontrarão durante os próximos meses.

02/03/2011

…POR CAUSA QUE DA TAL NOSSA REVOLUÇÃO FICOU TUDO POR FAZER

por cam

“Por causa que a gente era dono definitivo deste nosso país, sim senhor, mas era só em boa honra de palavras. Já que no dia após dia era igualíssimo como era antigamente: só que os brancos tinham deixado de mandar para sermos mandados por pretos com ideias instruídas, mas a mandar igual. E assim, com factos destes, a gente perverte sempre em jeito de arranjar razão para já não gostar de nenhum governo. E por em causa disso é que muito se fala mal. Principalmente por causa que da tal nossa revolução ficou tudo por fazer. Pois – nada existe. Se alguém perguntar no mato, aonde que toda a comida se produz, o que é que revolucionou-se?, ah, ninguém que há-de achar uma resposta direita para dar. E, se der, é só conversa fiada, sem nenhuma verdade. É falar do que nunca se existiu.”

[Ascêncio de Freitas, A paz enfurecida, pp. 392-3]

Ascêncio de Freitas nasceu em 1926 na Gafanha da Nazaré. Fixou residência em Moçambique em 1948, onde permaneceu durante trinta anos. Tendo exercido, ao longo de uma vida aventurosa, diferentes actividades profissionais, de desenhador industrial a fabricante de carvão, de pintor de cartazes a jornalista, de gerente comercial a administrador de empresas, entre outras, publicou vários romances e livros de contos, nos quais se reflecte uma vivência invulgar e um conhecimento raro da língua portuguesa e do chamado «pequeno português», a base do linguajar suburbano de Moçambique. Foi bolseiro do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas em 1999, com cuja bolsa escreveu este A Paz Enfurecida, publicado em 2003 [adaptado da editorial Caminho]

Outras obras:

Cães da mesma ninhada (1960)

Ontem era a madrugada (1978)

África ida e volta (1978)

À boca do passado (1981)

Crónica de D. António Segundo (1983)

Carmen era o nome (1996)

Na outra margem da guerra (1999)

A reconquista de Olivença (1999)

O canto da Sangardata (2000)

Mentiras, elefantes e etcérera (2000)

Estória do homem que comeu a sua morte (2002)

A noite dos caranguejos (2003)

%d bloggers like this: