Archive for ‘Manuel de Freitas’

27/08/2012

Portugal Zero, Brasil

por cam

Lido ontem no blogue da editora Oficina Raquel, do Brasil: «A editora Oficina Raquel afirma-se cada vez mais como uma grande divulgadora da literatura portuguesa no Brasil. No contexto do Ano de Portugal no Brasil, que terá início em setembro de 2012, a Oficina editará quatro títulos. (…) Os outros dois títulos são de poesia: Carlos Alberto Machado e João Luís Barreto Guimarães, destacados poetas portugueses, dão continuidade, nos primeiros meses de 2013, à coleção Portugal 0, coordenada pelo editor da Oficina e também professor de literatura portuguesa da UFF Luís Maffei. Desde 2007, Portugal, 0 edita no Brasil nomes destacados da poesia portuguesa recente, e já lançou, desde então, cinco títulos, o último dos quais dedicado à poesia do exitosíssimo valter hugo mãe. A coleção é sinal de que a Oficina Raquel se interessa pela literatura portuguesa há mais tempo que uma moda. Os livros editados no contexto do Ano de Portugal no Brasil pela Oficina têm apoio da DGLB, Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas.»

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06/01/2012

AS QUALIDADES DO MANUEL DE FREITAS

por cam

Conhecemo-nos no bairro lisboeta de Campolide, nos princípios de 2001, tinha eu já publicado os meus primeiros livros de poesia “Mundo de Aventuras” (1999) e “Ventilador” (2000) e o Manuel o, também de poesia, “Todos Contentes e Eu Também (2000). Sem o sabermos, éramos vizinhos. Descoberta a vizinhança, veio a amizade. Partilhámos nesses anos o que é comum dois amigos partilharem, com os gostos comuns da poesia e da boa conversa à mesa vinicamente regada. Sempre, ou quase sempre, com a Inês (que em 2002 publicaria na Colóquio-Letras da Gulbenkian uma recensão sobre o “Ventilador” que ainda hoje me emociona). Tive a felicidade de ser um dos antologiados em “Poetas Sem Qualidades” (Averno, 2002 – a sua editora que publicou também em 2004, o meu “A Realidade Inclinada”) antologia que tanto celeuma provocou (e hoje continua a ser uma obra de referência quando se discute a poesia contemporânea portuguesa & etc… – cf. a minha crónica sobre o último livro do Pedro Eiras: “Um certo pudor tardio. Ensaio sobre os «poetas sem qualidades»”, Porto, Outubro de 2011). Depois, anos mais tarde, as nossas vidas descruzaram-se, com mágoa minha. Tudo isto para dizer (lembrar) que a minha escrita sobre livros está inevitavelmente ligada ao modo como me relaciono com os autores por quem nutro amizade. Não pretendo esconder isso, antes pelo contrário. É assim e ainda bem que é.

Manuel de Freitas (Vale de Santarém, 1972) é, além de poeta, ensaísta, tradutor, antologiador e crítico; dirige, com a Inês Dias, a revista Telhados de Vidro e a editora Averno. Esta crónica surge agora a propósito da antologia por ele organizada, e publicada em 2009 mas que só agora tive oportunidade de ler: “A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX” (Assírio & Alvim). O Manuel usou um critério temporal: poetas nascidos antes de 1950. Os -2 são Joaquim Manuel Magalhães e João Miguel Fernandes Jorge que “preferiram não ser incluídos” (p. 12). “Esta antologia (…) está-se nas tintas para a posteridade. Trata-se de uma viagem estritamente pessoal (…)” (p.10). Li-a – com imenso prazer, embora com as inevitáveis discordâncias –, mas o que me leva a escrever agora são outros aspectos: esta antologia (creio que outras se seguirão), completa, de certo modo, a escrita do Manuel de Freitas – de modo nenhum se trata de um gesto de autoridade ou de sobranceria, como por vezes acontece com certos antologiadores. Não, de todo. Por outro lado, reforça a sua visão do lugar poético, dos seus “fazeres” e da sua relação com o “real”. Não se trata apenas de uma “perspectiva da morte”, mas, de certa maneira radical, olhar para trás e trazer à liça os poetas e as poesias de, digamos, uma linhagem. Antologiar, é, no caso do Manuel de Freitas, cimentar um percurso: as “vozes que tanto me marcaram”, “marca-as” ele retroactivamente. Ambição gratuita? Não.

O Manuel de Freitas é uma das personalidades fortes da poesia e do pensar da poesia hoje em Portugal e creio que o tempo só reforçará junto de quem o lê essa evidência. Uns gostam, outros não. Eu gosto.

O Manuel tem dois ensaios sobre dois poetas maiores (Al Berto, 1999, Herberto Helder, 2001); há quase uma década vem publicando no jornal Expresso (suplemento Actual) as suas recensões críticas: creio que todos ganharíamos em (re)lê-las organizadas em livro. Fica a deixa.

31/12/2011

12 LIVROS

por cam

Desde Outubro de 2007 anoto os livros que leio. Este ano, registei 60, de diferentes dimensões e tempos de leitura – e de diferentes anos de edição (alguns deles em releitura). Deixo aqui a lista das 12 preferências, por ordem alfabética do nome do autor/organizador:

» António Cabrita e João Paulo Cotrim, O Branco das Sombras Chinesas, Abysmo (2011)

» Armando Silva Carvalho, Anthero, a Areia e a Água, Assírio & Alvim (2010)

» Ascêncio de Freitas, A Paz Adormecida, Caminho (2003)

» Ernst Gellner, Linguagem e Solidão. Uma interpretação do Pensamento de Wittgenstein e Malinowski, Edições 70 (2001)

» Fernando Rosas e Maria Fernanda Rolo, (orgs.), História da Primeira República, Tinta da China (2010)

» José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política, Temas e Debates (3 vols: 1999, 2001 e 2005)

» Manuel de Freitas, A Perspectiva da Morte. 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX, Assírio & Alvim (2009)

» Miguel Morgado, Autoridade, Fundação Francisco Manuel dos Santos (2010)

» Natália Correia (org.), Antologia de Poesia Erótica e Satírica, frenesi/Antígona (1999, 1ª ed: 1965)

» Rui Ramos (coord.), Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal, A Esfera dos Livros (2010, 4ª ed.)

» Thomas Pynchon, Vício Intrínseco, Dom Quixote (2010)

» Vitorino Nemésio, O Corsário das Ilhas, IN-CM (1998)

"Respiro", ensaio de António Cabrita, nas edições Língua Morta, Novembro de 2011

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