AUSTEN, PRIDE

por cam

AUSTEN, PRIDE – Orgulho e Preconceito, de Jane Austen publicou-se há 200 anos. Serviu de base a filmes melosos e a replicações de mau gosto, popularuchas, etc. Mas eu gosto de ler esta romântica inglesa. Gosto da maldade absurda de Mr. Bennet, gosto da mais despudorada mudança de humores de Mrs. Bennet (é impagável a sua mudança para com Darcy, quando sabe que a sua Lizzy o vai desposar), gosto da impossibilidade existencial deste mesmo Darcy e da fogosidade e da rebeldia de Lizzy, gosto da má educação aristocrática de Lady Catherine e da racionalidade de quase todas as personagens, mesmo quando uma delas parece que tem a sensibilidade à flor da pela, como Mrs. Bennet. E gosto de aprender sobre a economia romanesca, sobre a rapidez dos diálogos, sobre o balancear dos ritmos; gosto de ver como se escreve umas trezentas páginas sem o pechisbeque das descrições inúteis, gosto de ver como a autora subtilmente se esconde. E, acima de tudo, gosto de ver como é possível um romance onde se cruzam histórias de amor, ser tão pervertidamente baseado no dinheiro: os dotes, as rendas, não largam as personagens.
É possível juntar na mesma estante as obras, como esta, que acreditam na literatura e no romance, com as outras, as que desacreditam na primeira e desconstroem o segundo? Parece-me que sim.

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