LÉVIN, TOLSTOI

por cam

Anna Karénina, de Lev Tolstoi, não dispensa quem o lê de ficar marcado pela relação do par Anna/Vronski – e, é claro, pela complexa rede de incidências socioculturais, etc; e também, evidentemente, se deixarmos por um momento de lado as questões de natureza literária, o (árduo) ofício literário de Tolstoi. Mas eu fascino-me sempre com aquele que, de algum modo, segundo Nabokov, «mais do que em qualquer outra personagem Tolstoi se retratou»: Lévin. A luta consigo próprio, com a natureza, com o trabalho (e o fascínio) da terra, a sua corporalidade (fisicalidade teatral), a par das intensas descrições do “campo”, a sua permanente questionação de si mesmo, dos fundamentos da vida ser como é e ele de nela estar, o medo da morte e finalmente a reconciliação, tolstoiviana. Lévin é «um homem de ideias morais, de Consciência com C maiúsculo.»; um símbolo dos ideais religiosos que animavam Tolstoi. A par disto, o desenlace, que agradava a Tolstoi, do «casamento perfeito» de Lévin (com Kiti). Ou não fosse também o romance o esplêndido desenvolvimento da sua primeira frase: «Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família é infeliz à sua maneira.»

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