Os trabalhos e os dias

por cam

1. Há cerca de um mês, mas hoje em especial, tenho-me debatido com a burocracia da Segurança Social – trata-se de minha mãe, quase com 80 anos. No meio do desespero, da teia burocrática e da malha de burocratas (que apenas o são por prazer masoquista), uma voz ao telefone (que pena não estar próximo para lhe dar um sorriso e, se possível, um abraço de afecto), que se esteve nas tintas para as regras e, sem estar contaminada pelo vírus masoquista, procurou resolver uma situação – que, no fundo até era simples.

2. O suplemento Ípsilon, do jornal Público, descobre todas as semanas um génio português do romance. Quando por aí o orgasmo não tem possibilidade de acontecer, procura o “jornalista cultural” prazer idêntico no louvaminhar de um sujeito qualquer, pago a peso de ouro (ele o “jornalista”/jornal) por qualquer “major” da edição.

 3. Leio, absorvidamente, e com o peso da emoção a pôr à prova a resistência do meu “fabile” coração (emocional e intelectual), uma das mais geniais e ignoradas autoras de escrita em Portugal: Eduarda Dionísio que herdou do pai, Mário Dionísio, a excelência intelectual e a recusa pelas lusas luzes do show business (cada um à medida do seu tempo, obviamente).
 
4. Existem em Portugal um patrões da poesia, armados de ferrão sempre pronto a aniquilar os outros. Herdaram (biologicamente) antigas práticas terratenentes, mas refinaram. Queimaram a terra à sua volta e agora reinam sozinhos. Bom, não é bem verdade, ainda subsistem uns quantos caquécticos a quem estes, mais novos, fingem prestar vassalagem; e uns outros, muito poucos, eles mesmos terratenentes, de outro tempo e de outra matriz, que resistem – mas com fim inexorável à vista. Os actuais poderosos, por qualquer razão certamente atribuível à demência congénita, continuam de atalaia e disparam cegamente sobre quem, na sua percepção distorcida, pareça colocar em perigo o seu reino. Para quê?: não se entende! Editam livros, são críticos em jornais poderosos, criam revistas, bares e livrarias. Quem quiser entrar na luta e, como eles, vingar, é só seguir a cartilha – há mais de dois séculos que tem resultados garantidos (mas fica sempre alguém de fora, ainda bem).
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