BELAS E TERRÍVEIS CRIATURAS

por cam

Viver com a(s) “crise(s)” e a(s) “insularidade(s)” produz nas minhas leituras singulares fenómenos de distanciamento.

Leio agora a revista de poesia Criatura, nos3, 4 e 5 (Abril de 2009, Dezembro de 2009, Outubro de 2010, respectivamente). Poetas que escrevem há pouco tempo, outros há muito. Presenças espanholas.

As revistas de poesia têm quase sempre vida curta (excluo deste apontamento as ditas institucionais). Recordo experiências: as luso-espanholas Canal e Falar/Hablar de Poesia, a luso-brasileira Inimigo. Rumor; só portuguesas: a Hífen (Inês Lourenço), a As Escadas Não Têm Degraus (AM Feijó, JM Magalhães, JMF Jorge), a Construções Portuárias (António Cabrita), a Apeadeiro (Jorge Reis Sá, Valter Hugo Mãe), a Magma (Sara Santos e eu), ou a A Phala (a revista, não o “boletim” livreiro – José Alberto Oliveira). Persistem a Bumerangue (não tenho a certeza), a DiVersos (Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques), a Piolho (Edições Mortas/A. Dasilva O.), a Relâmpago e a Telhados de Vidro (Inês Dias, Manuel de Freitas). Outras terão morrido na última década e meia, outras há que ainda persistem, não sei (esta resenha é aproximativa). E ainda há as que apenas têm existência on-line.

Aquilo que quero realçar é que a poesia, destes e de outros modos, continua a resistir às tentativas de certos críticos e de certa imprensa, seja pelo aberto ataque cerrado que fazem a tudo quanto é novo e inovador, seja pela imposição do silêncio (e não é de descartar igualmente as estratégias de algumas editoras e grupos editoriais).

Bom, estava a falar da Criatura. Nela, gosto de muita coisa: do projecto original que sem ser de “grupo” tem espinha dorsal e pelo menos sabe por onde não ir, de muitos dos poemas, do design, da presença de alguns dos poetas (poemas) no limite do risco. É (também) para isso que se faz uma revista de poesia.

[direcção de Ana M. P. Antunes, David Teles Pereira e Diogo Vaz Pinto – os 2 últimos assinam sempre vários poemas na revista. Organização do Núcleo Autónomo Calíope da Faculdade de Direito de Lisboa, com o apoio da Associação Académica]

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