NATAL…

por cam

« Assinaste o teu nome

em papel sufocante

impressão bem à vista

xis escudos por página

um livro repleto

de palavras amestradas

p’ra oferecer no natal

ou isso ou umas peúgas.»

[ poema publicado inicialmente em «Ventilador», Elefante, 2000, e depois em «Registo civil. Poesia reunida», Assírio & Alvim, 2010 ]

«Ainda bem que o natal acabou

logo que soaram as doze

descolei os lábios da mesa

vomitei as doçarias todas

para cimas das notícias

que anunciavam a morte

algures onde o natal

é regado com sangue

e as rolhas das garrafas

são tiros cegos e certeiros

matam velhos e crianças

em natal ou em belém

para o ano haverá mais

se a dor aguentar até lá

nós aqui e eles no inferno

uma data é uma data

e é preciso comemorá-la

com sangue e com lágrimas

um dia os meus lábios

ficarão para sempre

agarrados à toalha de linho.»

[ poema publicado inicialmente em «A realidade inclinada», Averno, 2003, e depois em «Registo civil. Poesia reunida», Assírio & Alvim, 2010 ]

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