VIGIAR, VELAR

por cam

«Os naturais da costa sudoeste da Terceira, os da Graciosa, os das duas vertentes da Serra única e longitudinal de São Jorge, o picaroto do Norte e o de Oeste, o faialense, acostumam-se de meninos ao palpite e à sondagem do horizonte: são naturalmente vigias ou velas. A atitude radical do ilhéu é chegar à porta de casa e interrogar o mar. A relativa frequência do nome “fanal” na toponímia açoriana não só atesta a necessidade de sinalização nocturna, como a rede de atalaias que se forma naturalmente em torno de cada ilha e que, de umas às outras, se tece de postos fixos ou acidentais de espera e de observação. O nome da vila de Velas, que coube à cabeça do povoamento de São Jorge, põe na ilha alpestre essa espécie de divisa do destino islenho – que é vigiar, velar»

Vitorino Nemésio, O Corsário das Ilhas, Lisboa, IN-CM, 1998: 61.

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