ÍNDICAS, JORNADA 14

por cam

Certas noites em Maputo, em alguns bares e discotecas, são “noites de talho”: as catorzinhas vão lá vender os seus corpos. Dizem-nos que vão em grandes quantidades. Porque há muitas miúdas que precisam do dinheiro por que trocam os seus corpos, porque há, obviamente, muitos que precisam desses corpos e estão dispostos a pagar por eles. Os seus “clientes” são figuras locais respeitáveis (enfim…), ou turistas em busca do sexo juvenil e negro. Parece um negócio. E é. Merca-se carne, viva, quente. E com outros predicados que valorizam a mercadoria. É assim, desculpem mas é assim. 

Mesmo durante o dia, à entrada dos liceus, muitas destas catorzinhas deitam o olhar convidativo aos brancos que passam com dinheiro nos bolsos. Fora de Maputo, veremos mais tarde que a fome é mais exigente e por isso os corpos destas meninas se vendem por qualquer coisa que lhes mitigue a fome.

Logo após a independência, os frelos atacaram violentamente a prostituição (negra e branca), em nome de uma moral dita revolucionária. Agora, são os mesmos frelos, ou os seus descendentes, mais “conscientes do mercado”, que deixam este “mercado” florescer, comem a parte rica, vomitam a parte pobre. E outros, muitos, fecham os olhos. E as bocas. É triste perceber até onde pode ir uma revolução.

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