INTELECTUAIS

por cam

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, dirigida pelo sociólogo António Barreto, tem tido desde a sua fundação, recente, um papel inestimável de intervenção na vida do país. Desde logo, na criação e funcionamento da PORDATA, base de dados on-line sobre Portugal, rigorosa e dinâmica. Depois, a publicação dos Ensaios da Fundação, dirigidos por António Araújo, que até à data já fez sair, salvo erro, 12 volumes. Nem todos são sobre Portugal, mas mesmo aqueles que o não são, fazem bastante por nós, como Autoridade, de Miguel Morgado, ou A Filosofia em Directo, de Desidério Murcho, referindo-me apenas àqueles que li.

A larga maioria dos autores destes Ensaios é gente de novas gerações, em regra com ligação à universidade. Independentemente das suas origens e idades (a média rondará os 40 e poucos anos) pertencem a um “novo Portugal”: instruídos, cultos e intervenientes, a pensar o mundo que habitam (o português e o resto). António Barreto, figura nem sempre bem amada e que deu azo a destilar-se muito fel e a vozear demasiado alto, iam os anos oitenta e ele era o malfadado “pai” da “morte” da “Reforma agrária”, é ele, hoje, o principal responsável por dar voz a estes intelectuais. Intelectuais. Sem qualquer espécie de capa protectora. Pessoas comuns que usam o que deus lhes deu e mais alguma coisa, e que põem essas coisas dadas e adquiridas ao serviço do pensamento. Assim mesmo. Sinto orgulho. E sei que há mais. Infelizmente, há poucos antónios barretos e fundações como aquela que dirige que os ajudem a sair do anonimato. Andam entrincheirados em universidades e centros de estudo, outros na solidão doméstica, às vezes perdidos na lama dos blogues de cobardes anónimos & analfabetos. Alguns têm medo que lhes chamem nomes feios e às suas mãezinhas. Até os “acusam” de “intelectuais”, como se tal fosse uma coisa má e ofensiva para a humanidade. O “povo” gosta é de esbracejar, discutir a razão do mundo como se o mundo não passasse de uma partida de futebol, isto é, de uma maneira furiosa e malcriada (e o futebol não tem disto culpa…). Quando algum intelectual mais atrevido vai à televisão, o jornalista quer à viva força que ele responda apenas “sim” ou “não” ou “responda-me em dez segundos, temos compromissos comerciais!”. E o coitado, lá fica atarantado, e acaba quase sempre, inevitavelmente, por dizer umas coisas meio descosidas: mais umas achas para a fogueira que há-de exterminar a inteligência da face da televisão, que é como quem diz, da Terra.

Ficarão aqueles que “acertam” ou “adivinham” em vez de saberem, de raciocinarem; ficarão aqueles que apenas se interessam pelos fins, sem querer saber dos meios (como, por exemplo, arranjar um diploma universitário sem pôr os pés nas aulas, com uns professores “amigos”, e não ler um livro completo que seja em toda a sua vida); ficarão aqueles que são aerodinâmicos, saudáveis, risonhos e… palermas – os seus pobres cérebros foram trocados por uns ténis nice num qualquer site de “ocasião” na Net.

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One Comment to “INTELECTUAIS”

  1. Pois, gostei, especialmente das idas à televisão. Mas alguém que não queira ” a fama”, que segundo Álvaro de Campos é para as actrizes e os políticos ,não falamos naturalmente dos diversos concorrentes e dos que vão para fazer cenário, vai à televisão fazer o quê? Acabei de ver António Barreto no Nico à noite….fazer o quê? O rapaz que se seguiu foi muito mais aplaudido. Se ambos concorrerem à presidência o rapaz ganha. Raios, não dizem o nome e eu não me lembro. Ah pois, o Tony Silva, perdão Carrera.

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