ÍNDICAS, JORNADA 2

por cam

Ainda desconhecedores da cidade, jantamos, nesta noite da nossa chegada a Maputo, num restaurante perto de casa, o Horóscopo, na rua Mateus Sansão Muthemba, Polana. Os donos, simpáticos, são portugueses, com idade suficiente para terem sido colonos, não perguntámos. Um tempo de espera irritante, para quem como nós tem hábitos europeus, de Lisboa. Fica a dúvida se este será o padrão dos restaurantes de Maputo. E ainda falta ver a qualidade.

Enquanto esperamos, mais de 45 minutos, vamos observando à nossa volta. Poucos clientes – no interior, o restaurante não comportará mais do que trinta pessoas. Alguns estrangeiros, nórdicos e ingleses. Um grupo de moçambicanos jovens. Eles de fato cinzento, camisa branca, alguns de gravata, elas de vestido aprumado. Conversas, risos. Jóias. Relógios vistosos, pulseiras e fios de pescoço, brilham como ouro. Percebe-se que um deles procura ser o líder da mesa, tenta centrar em si a conversa, toma a iniciativa de pedir à empregada, moçambicana, isto e aquilo, sempre com ar arrogante e malcriado. Levanta-se, quase que arrasta com ele a empregada, tímida e simpática, quer escolher vinhos, exige que a rapariga tire da prateleira garrafas de vinho tinto, olha para os rótulos, vira de pernas para o ar as garrafas, roda-as na mão, percebemos que não faz ideia do que está a ver, olha para trás, para a mesa dos amigos, é preciso que eles percebam que também é connaisseur de vinhos dos tugas, pega numa e depois noutra garrafa e quase como escolhesse com a ajuda uma lengalenga infantil, ao acaso, diz, “quero esta, bem gelada, despacha-te”, e volta para a mesa. Põe os braços abertos sobre os espaldares das cadeiras ao lado da sua, gesticula, ri-se muito alto, todos falam e riem muito alto. Bebem. Vem o nosso peixe serra grelhado e camarões. Qualidade mediana. Como com pouca vontade, irritado pelos comportamentos dos jovens moçambicanos novos-ricos, prepotentes, boçais. Frelos, provavelmente. O poder excita. A guerra que deu estes filhos é a pior guerra do mundo.

Pagamos, 955 Meticais, cerca de 20 Euros.   

À porta, os fô by fô condizentes com a farpela e o linguajar dos meninos ricos.

Estamos juntos?

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