…OU BAIXAMOS AS CALÇAS?

por cam

Esclareço, para não inquinar a leitura do que se segue: não tenho filiação partidária nem convicção ideológica integrável no actual quadro português; considero a democracia representativa que vigora em grande parte do mundo o menor mal possível para a felicidade humana. Feitos os esclarecimentos, apresento alguns factos sobre a existência e funcionamento da democracia portuguesa. Como primeiro facto, começo por recordar as declarações feitas em meados de Novembro de 2008 pela dra. Manuela Ferreira Leite, então líder do PSD: “Não sei se, a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois, então, venha a democracia”, referindo-se à necessidade de se fazer todas as reformas, segundo a sua opinião, necessárias e urgentes para o país; segundo facto: José Sócrates, questionado sobre o facto de não ter apresentado as medidas do PEC4 aos órgãos de soberania Assembleia e Presidência da República antes de as apresentar à Comissão Europeia, em 11 de Março último; terceiro facto: o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, partidos com assento parlamentar, não são considerados pelo Partido Socialista, pelo Partido Social Democrata e pelo Centro Democrático Social/Partido Popular, e pela generalidade dos órgãos e comentadores políticos da comunicação social, como são afastados à partida da participação em governos nacionais e igualmente em negociações sobre os destinos do país ao nível da UE e das instituições financeiras internacionais; quarto facto: como se está a negociar um pacote de ajuda Comunitária, a aprovar antes da realização das próximas eleições legislativas, esse pacote deve ter um acordo prévio dos partidos do “arco governativo” (PS, PSD e CDS/PP), condicionando assim a democracia de tal modo que os eleitores serão chamados a plebiscitar um prévio programa financeiro-económico-social, e escolher apenas o executor formal desse programa prévio – questão que os órgãos e comentadores políticos da comunicação social, pelo menos, assim consideram, tal como consideram isso um facto assente e indiscutível.

Resumindo: uma líder de um partido social-democrata considera poder-se suspender a democracia em vista de altos interesses nacionais; um primeiro-ministro, líder de um partido socialista, suspende efectivamente a democracia – a democracia é, antes de mais uma coisa formal, como bem viu e escreveu o Vasco Pulido Valente (jornal Público, 18.3.2011), todos os ditadores, diz ele, consideram que a “substância” é que vale, e não a sua apresentação e aprovação formal, em nome de “superiores interesses”; dois partidos, PCP e BE, com mais de um milhão de votantes (dados de 2009), são excluídos das decisões democráticas; três entidades supranacionais (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) condicionam de tal modo o funcionamento da democracia que na prática significa a suspensão da democracia (senão a sua anulação…).

A democracia segue dentro de momentos? Ou, desculpem a expressão, o nosso “baixar de calças” veio para ficar?

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Há dois ou três dias, descobri por acaso que na blogoesfera existia um blogue chamado azul cobalto como este.

Como não faz sentido a duplicação, e o meu blogue é mais recente, resolvi mudar de nome – quem sabe se esta mudança arrastará outras, o Baudrillard é que sabia destas coisas…

Chamar-se-á TRANSE_atlântico e o cabeçalho terá este aspecto (desenhado pelo Mauro):

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