HOJE NÃO HÁ CHUVA DOS DEUSES

por cam

Quem vem por aqui sabe que não é hábito meu “conversar” sobre assuntos, digamos, mais pessoais. Alegrias, dores ou esperanças guardo-as para mim e para os poucos da minha “intimidade”. Esta questão da intimidade e da partilha – porque este é um espaço público – esteve sempre na minha zona de indecisão ao decidir há anos criar o meu primeiro blogue (o Campo de Afectos, creio que em 2003, e que pelo ciberespaço continua, sem que possa intervir nele, esqueci-me da password…). Este azulcobalto, logo no início, vai para pouco mais de um ano, esteve silenciado durante meses, justamente por essa razão. Há um pudor, quase vergonha em ultrapassar certos limites (essas ultrapassagens, dolorosas, quase sempre, deixo-as para a escrita de poesia, teatro ou ficção – e mesmo assim, com que atrapalhações). E talvez por isso a vontade que há pouco veio de enredar a razão, foi-se. Fica apenas uma espécie de lastro: espero resposta de dois editores sobre dois romances que escrevi durante 2010 e o início deste ano. Enquanto não chegam, emaranho projectos de escrita ficcional (romances na cabeça, como costumo dizer), olho o texto teatral que começou a sair de rajada e depois se imobilizou de repente, hesito nos poemas começados, leio livros e ponho no PC notas sobre a mediocracia, o poder em cena, nos cruzamentos infindáveis da antropologia, da filosofia e de outros saberes que vou cautelosamente tacteando; e penso na reescrita do meu ensaio (ingénuo) sobre a morte (de 1989) e…

Hoje, a brincadeira dos deuses não resultou em chuva.

(e digo um olá ao Mário Cabral que me enviou da sua Casa das Tramóias um texto-poema sensível, próximo, sempre, do seu Deus que não conheço mas que seguramente é bom, por ser chegado ao Mário; e fico à espera que o Cabrita arrume a casa na sua torre da Coop em Maputo pois tenho saudades das nossas conversas, quem sabe se ele virá até esta ilha, eu que este ano não voltarei a percorrer as ruas maputenses, maningue saudades António, Teresa, Ana, Jade e Luna, Tânia e Armindo, Zé Cabral, Patracas – que tu voltas sempre, é a tua terra –, malta da EPM e da ECA, Matteo e os outros amigos de amigos que gostaria de voltar a ver; e a nossa Adelaide, que há-de ter poema a condizer com a sua doçura)

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