A DIFICULDADE DO ROMANCE

por cam

Há três dias revi, como se fosse a primeira vez, o filme (em vídeo) O Estado das Coisas, de Wim Wenders (1982). Numa altura em que tenho alguma dificuldade em digerir romances que por aí vão sendo badalados, o filme de Wenders encaixou na perfeição. A reflexão sobre a própria linguagem do cinema – o seu fascínio, mas igualmente os seus limites e possibilidades, narrativas e outras –, a inclusão reflexiva, a inovação estrutural, são alguns dos problemas (ainda) numa certa procura da escrita romanesca (se quisermos continuar a dizer que tal é possível) e do cinema. Eu aposto nisso: a tradicional boa história – como Borges dizia do romance policial – entrelaçada inteligentemente numa hibridação que mantenha intactas as condições essenciais de comunicabilidade. Nabokov falou de obscenidade quando o romance não tem nada para acrescentar ao mundo. Perfilho desta ideia, sabendo que ela pode não passar de mais um aforismo inútil, decorativo.

São as dificuldades que vou sentindo na escrita dos meus projectos romanescos. Acresce que trago da poesia e do teatro (e dos contos curtos, que tenho experimentado nos últimos cinco anos) outras dificuldades – mas também outras capacidades de enriquecimento e inovação. A ver vamos.

O estado das coisas, de Wim Wenders (1982)

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