ESTE BLOGUE

por cam

Tenho reflectido, sempre com crescente mágoa, sobre peculiares situações que nos nossos dias marcam o “campo” da “literatura” – para usar uma expressão que não sendo rigorosa se aceita num certo nível de entendimento.

As situações peculiares a que me refiro são detectáveis em várias “categorias”: a dos que escrevem, a dos que divulgam, comentam ou criticam e a dos que editam; e a dos segmentos híbridos (ou a montante do “campo”).

O mal-estar e a mágoa que sinto não derivam do conhecimento de conclusões “sociológicas” (ou similares); a minha constatação vem de dentro: porque escrevo e porque aquilo que escrevo precisa de um suporte físico – o papel impresso – e depois circular (falar sobre a razão desta necessidade fica para depois).

Causas da mágoa: a mediocridade fortemente instalada e a leviandade e impunidade dos tolos com poder.

Magoa-me, dói-me, faz-me chorar saber, sentir, ver como são maltratados aqueles que noutras situações não seriam amachucados por merceeiros da literatura – com todo o respeito pelos merceeiros de profissão e honra, que já são poucos. Custa-me ver poetas ostracizados e silenciados por não pertencerem – por não quererem pertencer – a lobbies; custa-me saber que existem “políticos” inventados à pressa que decidem pela vida das obras de criação; custa-me ver um livro de poemas ser recusado ou adiado sine die por “editores” que pouco leram e mal sabem escrever, apenas escrevinhar; custa-me ver um poeta maior passar de bestial a besta, às mãos de sevandijas ignorantes; magoa-me que existam uns júris comprados ou analfabetos; os fazedores de livros por medida; os críticos de má consciência que consideram que… desculpem, ia a dizer coisas que talvez dessem direito a cadeia…; cansado de ler em tudo quanto é blogue que poesia é sinónimo de enlevamento e de bons sentimentos, a puesia dos puetas… Conheço poetas de valor fechados em casa, a vomitarem de nojo por tudo isto, sabiam?

Escrevo isto e é claro que…

Porquê, então, este blogue? Pois não sei muito bem – talvez por uma ridícula esperança de que ele contribua um pouco para resistir à mediocridade; mais uma ilusão?

Fico-me por aqui neste blogue, mesmo assim, em “companhia dos bons”; talvez a proximidade produza efeitos positivos, quem sabe?

E lê quem quiser, não é assim?

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